O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) denunciou três policiais acusados de participar de uma associação criminosa armada que usava a estrutura da Polícia Civil para exigir ou solicitar dinheiro de comerciantes dos ramos de sucata, ferro-velho, reciclagem e depósito de resíduos em São Gonçalo. A denúncia revela que foram feitas investidas contra duas empresas, com cobranças iniciais de R$ 300 mil e R$ 20 mil. Os agentes foram presos na manhã desta sexta-feira por equipes do MPRJ e da Corregedoria da Polícia Civil do Rio. Um quarto homem, que não era policial, também foi preso. A corregedoria ainda cumpriu seis mandados de busca e apreensão. Vai ao Rock in Rio? Saiba quais transportes públicos terão operação especial na madrugada durante o evento Condomínio de luxo: imóvel que ocupará terreno da mansão mais cara do Brasil, no Leblon, já vendeu quase todas as casas De acordo com a denúncia do MPRJ, os policiais atuavam uniformizados, armados e em viaturas oficiais da Polícia Civil para realizar as extorsões. Segundo a denúncia, sob o pretexto de realizar fiscalizações, eles apontavam supostas irregularidades administrativas ou ambientais nas empresas e nos comércios. Para o MPRJ, “o uso da estrutura policial conferia aparência de legalidade às abordagens e criava um ambiente de intimidação para a cobrança de vantagens indevidas”. Os policiais presos desta sexta-feira foram identificados como: Maurício Gomes da Silva, Rafael Ricardo Obesso, Rafael Sipriano Silveira. Tamém foi preso um homem identificado como Luiz Cláudio Silva Medeiros, conhecido como Cacau. As extorsões Em uma das investidas do grupo, realizada em 19 de agosto contra a SOF Comércio e Reciclagem de Sucatas, os três policiais teriam exigido cerca de R$ 300 mil para que a empresa não fosse prejudicada pela suposta fiscalização. Diante da recusa dos responsáveis, a cobrança foi reduzida para R$ 100 mil, divididos em três parcelas, além de um pagamento mensal de R$ 800. A investigação não identificou, segundo o MPRJ, ordem de serviço, registro de ocorrência ou outra formalização da suposta fiscalização. Naquele mesmo dia, a vítima transferiu R$ 25 mil para a conta de um dos denunciados, que, segundo o MPRJ, dava suporte financeiro ao grupo ao receber os valores cobrados dos comerciantes. De Arlindinho a Anitta: veja os famosos que disputam samba-enredo no Grupo Especial, com finais a partir desta sexta-feira A segunda investida identificada pela investigação teve como alvo a Afermota Comércio e Distribuidora de Ferros. Segundo a denúncia, o grupo abordou um caminhão da empresa e seguiu as vítimas até o depósito. No local, eles se apresentaram como policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e solicitaram R$ 20 mil aos responsáveis pelo estabelecimento. As vítimas alegaram que não tinham a quantia, e os policiais reduziram o valor para R$ 15 mil. Nenhum pagamento foi realizado. Segundo a Polícia Civil, ao longo das diligências foram reunidos elementos que ultrapassam o conteúdo da denúncia anônima inicial. Os agentes conseguiram reunir, durante a investigação, relatos convergentes de vítimas e testemunhas, reconhecimentos fotográficos, imagens de videomonitoramento e comprovante de transferência bancária compatível com a vantagem indevidamente exigida.
A ação, batizada de Operação Anhangá pelo MPRJ, “faz referência à figura do folclore indígena brasileiro conhecida como protetora dos animais e das florestas contra caçadores predatórios. O nome faz alusão à atuação contra agentes que, segundo a denúncia, teriam se valido da função de proteção e fiscalização para obter vantagens indevidas”, diz a nota. Em nota, a Polícia Civil informou que a operação reforça a atuação da Corregedoria-Geral no controle interno. "As investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão dos crimes apurados. A Polícia Civil não compactua com qualquer prática ilícita ou desvio de conduta por parte de seus servidores e atuará com rigor para responsabilizar aqueles que utilizarem o cargo para cometer crimes", diz a nota.
O Globo