Mpox: com 88 casos em 2026 no Brasil, situação está 'dentro do esperado', afirma especialista
De acordo com dados atualizados pelo Ministério da Saúde, o Brasil já registrou 88 casos confirmados de mpox em 2026. Há ainda dois casos em investigação.
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Apesar do aumento recente, neste ano não há registros de mortes pela doença. Segundo a pasta, a maioria dos pacientes apresenta quadros leves ou moderados. O que mais chama atenção, no entanto, é o fato do número de casos ter praticamente dobrado em menos de uma semana — em 20 de fevereiro, eram 48 confirmações no país.
Em entrevista ao Jornal da CBN, o diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, Draurio Barreira, afirma que o número de pacientes até agora está “dentro do esperado”.
“Tivemos um surto em 2022, com mais de dez mil casos. Desde então, monitoramos ano a ano. No mesmo período do ano passado, entre janeiro e fevereiro, tivemos 244 casos. Então, o número atual está dentro do que é esperado de uma doença infecciosa transmitida por um vírus já presente no Brasil”, diz.
A transmissão da doença se dá pelo contato direto com as lesões na pele, as chamadas vesículas. Como Barreira explica, é semelhante à catapora. Quanto aos sintomas, o paciente tem febre, astenia (sensação de fraqueza generalizada, exaustão física e mental), cansaço e linfadenopatia (aumento do tamanho dos gânglios linfáticos).
Apesar da transmissão via relação sexual ser forte — diante do contato físico intenso —, o diretor do departamento menciona que o que chama mais atenção é o fato da doença acometer de maneira mais grave pessoas mais vulneráveis, do ponto de vista social ou imunológico.
“Nesses cinco anos, tivemos 22 óbitos. Com exceção de um, todos eram pessoas com HIV não tratado. Então, estavam imunodebilitadas. Em condições ‘normais’ de saúde, a doença cursa de modo leve ou moderado. (...) Essa doença não se disseminou em nenhum país de renda alta. É muito associada aos determinantes sociais, pessoas que vivem em situação de miséria, pessoas que vivem com HIV/AIDS”, explica.
Feridas mpox
Divulgação/Ministério da Saúde
Vale mencionar que a mpox também pode ser transmitida para os seres humanos por meio de objetos contaminados e animais, como roedores e macacos.
Tratamento e vacina
O tratamento à mpox, como menciona Barreira, é de suporte. O paciente é mantido com cuidados gerais como em outras viroses agudas — com rápidos períodos de instalação e cura. Já a prevenção se dá ao evitar o contato físico com as lesões.
“Uma pessoa assintomática, que não tem essas lesões, não transmite. A pessoa passa a infectar outras do momento que manifesta as vesículas até o período da cicatrização, que leva em torno de três semanas”, diz.
A cepa circulante no Brasil, como Barreira explica, não representa risco de um novo surto. No entanto, o risco presente, como em todo vírus, é a mutação. Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global para uma nova cepa. Apesar de nunca ter chegado ao território brasileiro, o diretor menciona que há uma vigilância atenta para a prevenção.
“Com o mundo globalizado de hoje, pessoas e mercadorias circulam, então há sempre o risco da introdução da nova cepa mais infectante. Então, pecados pelo excesso para preveni-la. Quando comparada à situação de países africanos, a do Brasil é ‘cômoda’ em relação ao vírus”, ilustra.
No momento, a vacina para a mpox não é recomendada para a população geral, apenas para aquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade. No Brasil, são vacinadas as pessoas com HIV/AIDS, com sistema imunológico debilitado e em estado avançado.
“Pessoas que vivem com HIV, mas estão bem de saúde, também não são vacinadas”, finaliza.
