MPF intima Rodrigo Bacellar a depor em investigação sobre possível vazamento por agentes da PF em operação contra o CV
O Ministério Público Federal (MPF) intimou o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), a prestar depoimento no âmbito de uma investigação que apura suposto vazamento de informações sigilosas envolvendo agentes da Polícia Federal. O procedimento foi instaurado dentro da Operação Unha e Carne, que levou à prisão do parlamentar no início de dezembro e ao seu posterior afastamento do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Segundo o MPF, há indícios de que informações sobre a Operação Zargun — deflagrada em setembro e que resultou na prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias — possam ter sido repassadas antes do cumprimento dos mandados. A Zargun teve como alvo integrantes do Comando Vermelho.
TH Joias e Rodrigo Bacellar
Reprodução Instagram TH Joias
De acordo com as investigações, Bacellar teria avisado TH Joias na véspera da operação policial. A suspeita embasou a deflagração da Operação Unha e Carne, meses depois, que culminou na prisão do então presidente da Alerj. Dias após ser preso, a defesa do parlamentar conseguiu soltá-lo mediante medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, entre elas restrição de locomoção, uso de tornozeleira eletrônica, além de ter sido afastado da presidência da Casa.
O novo procedimento investigatório criminal foi instaurado pelo procurador da República Eduardo Benones, coordenador do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial no Rio de Janeiro. Ao fundamentar a abertura da apuração, o procurador destaca que o sigilo inerente as operações dessa natureza indica a possibilidade de um vazamento primário ocorrido dentro da própria Polícia Federal.
A linha de investigação do MPF busca esclarecer se houve participação de agentes da PF no repasse indevido de informações sigilosas. Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que o depoimento de Bacellar ainda não tem data marcada. Como o parlamentar está impedido de viajar em razão das medidas cautelares impostas, a defesa negocia com o Ministério Público a possibilidade de que o depoimento seja prestado por videoconferência.
