O Ministério Público Federal (MPF) identificou 108 publicações com anúncios de mercúrio metálico no TikTok que, juntas, acumulavam 5,8 milhões de reproduções. Parte do conteúdo era direcionada especificamente ao público brasileiro e associava a venda da substância ao garimpo e à mineração de ouro. Diante do material, o órgão recomendou à ByteDance Brasil, empresa responsável pela plataforma no país, a remoção dos perfis e a adoção de medidas para impedir a comercialização ilegal do produto na rede social. Com qual candidato a presidente você mais se identifica? Responda às perguntas e descubra qual candidato tem a visão mais parecida com a sua Qual é o seu perfil ideológico? Teste do GLOBO revela sua posição político-ideológica Entre as recomendações do MPF, a entidade sugeriu que o TikTok aprimore mecanismos para identificar e bloquear anúncios da substância e, também, tome atitudes para evitar que conteúdos desse tipo sejam recomendados ou tenham seu alcance ampliado pelo algoritmo.
O levantamento que identificou as publicações foi realizado em agosto deste ano, no âmbito de um inquérito civil de abrangência nacional. Segundo o MPF, foram encontrados três perfis relacionados à oferta de mercúrio, com publicações em português, espanhol e inglês. Os contatos disponibilizados para as negociações, dentro das contas, estavam associados a números da China. Os anúncios na plataforma ofereciam mercúrio com pureza de 99,999% e apresentavam preços, quantidades mínimas para compra e informações sobre as formas de envio. Um dos perfis era voltado especificamente ao mercado brasileiro e as publicações utilizavam expressões como "No Brasil", "Dono de Garimpo", "Para o seu garimpo" e "Preço de atacado", além de hashtags relacionadas ao garimpo, à mineração e ao ouro no país. No momento do monitoramento, a conta acumulava 7.664 seguidores e 26,3 mil curtidas. Segundo o MPF, os conteúdos também mostravam a utilização do mercúrio na recuperação de ouro e estimulavam a negociação de grandes quantidades da substância. Interessados eram direcionados para aplicativos de mensagens, para onde as conversas sobre a compra migravam, o que, segundo o órgão, dificulta o controle das transações. O Ministério Público destacou ainda que as próprias regras do TikTok proíbem a publicidade e a oferta de determinados produtos considerados de risco, assim como o compartilhamento de contatos para negociações fora da plataforma. Em nota enviada ao GLOBO, a plataforma reiterou que permanece seguindo essas diretrizes e removeu os conteúdos em razão da proibição da "comercialização, do marketing ou do fornecimento de acesso a produtos e serviços regulamentados, proibidos ou de alto risco". (leia a íntegra abaixo) Os conteúdos foram removidos por violar nossas Diretrizes da Comunidade sobre produtos e serviços regulamentados. Proibimos a comercialização, o marketing ou o fornecimento de acesso a produtos e serviços regulamentados, proibidos ou de alto risco. Em nosso Centro de Transparência, publicamos, trimestralmente, um relatório de moderação com os números do período. O mais recente, do primeiro trimestre de 2026, mostra que: 99,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre produtos e serviços regulamentados foram removidos proativamente; 96,6% desses conteúdos foram removidos em menos de 24 horas. Crise no STF: Moraes aponta indícios de crime de Mendonça e pede que Fachin tome providências Crise no STF: Em duelo com Mendonça, PF diz que ministro tem 'efetiva participação nas tratativas de colaboração premiada' dos casos Master e INSS MPF estabelece prazo para adoção de medidas Legalmente, o TikTok tem até 30 dias para informar ao MPF sobre as providências adotadas. A empresa também deverá divulgar, pelo mesmo período, a recomendação ou um aviso sobre a proibição de conteúdos relacionados ao comércio de mercúrio. Caso anúncios sejam mantidos, a recomendação do Ministério Público prevê a apresentação de documentos que comprovem a origem do mercúrio e as autorizações necessárias para importação e utilização do produto. TikTok multado em R$ 153,7 milhões pela ANPD A recomendação do MPF ocorre pouco depois de a ByteDance Brasil receber uma multa de R$ 153,7 milhões da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) por irregularidades no tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes no TikTok. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União no último dia 25. 'Pergunta da semana': De Vorcaro e Moraes ao 'Dark horse', os ecos do Master podem favorecer a 'onda' Augusto Cury? Eleições 2026: Entre na comunidade do GLOBO e receba as notícias em primeira mão Segundo a ANPD, a plataforma tratou dados de menores de idade sem respaldo legal adequado e não adotou mecanismos suficientes para impedir o acesso de crianças, inclusive na experiência que não exige cadastro. A agência também apontou que informações coletadas durante a navegação eram usadas pelo sistema de recomendação e que anúncios eram exibidos no chamado "feed sem cadastro". Na ocasião, o TikTok afirmou ao GLOBO que mantém há cinco anos um "diálogo transparente e colaborativo" com a ANPD e ressaltou que a decisão se refere a práticas de 2021. A empresa disse que as conclusões da agência não refletem medidas adotadas posteriormente, incluindo um plano de conformidade aprovado em 2025.
O Globo