O Ministério Público Eleitoral (MPE) investiga um grupo de WhatsApp criado com cerca de 75 servidores da Prefeitura de Três Rios, no Sul Fluminense. A suspeita da PF é de que o grupo tenha sido usado para favorecer a campanha da primeira-dama do município, Lívia Medeiros (Podemos), candidata a deputada estadual. A Procuradoria Regional Eleitoral solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) uma ordem judicial para preservar e obter dados do grupo “Campanha 2026”, que, segundo o órgão, também teria sido utilizado para beneficiar a candidatura de Ricardo Martins David (PSDB), conhecido como Ricardo Abrão, a deputado federal. Ele foi barrado de concorrer na semana passada. Apuração em tempo real: veja como navegar pelo mapa especial do GLOBO Quer acompanhar de perto o noticiário das eleições? Participe da comunidade do GLOBO no WhatsApp Segundo o documento, o grupo foi criado em 24 de agosto deste ano pelo secretário de Governo de Três Rios, Francisco Carlos Gama, conhecido como Bill, que teria adicionado compulsoriamente servidores efetivos, comissionados e terceirizados vinculados à secretaria. A investigação começou após o depoimento de um servidor municipal ao Ministério Público, em 2 de setembro. Segundo a Procuradoria, o grupo passou a ser utilizado para divulgar propaganda eleitoral, convocar participantes para atos de rua e solicitar votos diretamente durante o expediente. O MP cita como exemplo uma mensagem enviada pelo secretário em 30 de agosto: "Bom dia galera/vamos para rua pedir votos para os nossos candidatos", dizia a mensagem. De acordo com a Procuradoria, as mensagens eram acompanhadas de figurinhas de propaganda eleitoral. O servidor que relatou o caso também afirmou temer retaliações administrativas caso os funcionários deixassem o grupo, como a perda de funções comissionadas, a rescisão de contratos terceirizados ou remoções. A Procuradoria ainda pontua que há risco de perda das provas porque o grupo utilizava o recurso de mensagens temporárias do WhatsApp, que apaga automaticamente conversas e mídias. Por isso, pede que a Justiça determine à plataforma a preservação dos dados por pelo menos 90 dias, além do fornecimento de informações sobre o grupo e seus administradores, incluindo a lista de participantes, os registros de acesso, os endereços IP e as datas e os horários das atividades. O objetivo é identificar os responsáveis pelas ações investigadas e verificar se os candidatos tinham conhecimento das práticas e se foram diretamente beneficiados por elas.
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MPE investiga grupo de WhatsApp de servidores de Três Rios para apoiar campanha da primeira-dama
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