MP-RJ denuncia policial civil pela morte de passageira em carro de aplicativo no Rio

 

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou o policial civil Frede Uilson Souza de Jesus pela morte da designer de sobrancelhas Thamires Rodrigues de Souza de Jesus, de 28 anos. O caso aconteceu em 7 de maio, após uma discussão de trânsito no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio.

A Promotoria pediu que o policial seja levado a júri popular e solicitou a prisão preventiva dele para garantia da ordem pública. O MPRJ também requer indenização mínima de R$ 100 mil para a família de Thamires.

Segundo o MPRJ, o policial discutiu com um motorista de aplicativo depois que uma manobra bloqueou a passagem do carro que ele dirigia. Após o desentendimento, Frede Uilson atirou contra o veículo, atingindo Thamires, que estava sentada no banco traseiro. A mulher chegou a ser socorrida para uma unidade de saúde, mas morreu após dar entrada no hospital.

De acordo com a denúncia, o crime foi cometido por motivo fútil, após uma simples discussão no trânsito, e a vítima não teve qualquer chance de defesa. O Ministério Público também destacou que o disparo colocou outras pessoas em risco por ter sido efetuado em uma via pública movimentada e com o uso de arma de uso restrito.

O caso aconteceu na Rua Professor Henrique Costa, via que divide os bairros da Taquara e Pechincha. Segundo as investigações, o motorista do carro de aplicativo fazia uma manobra quando Frede Uilson se irritou, iniciou uma discussão e, em seguida, atirou contra o veículo. O disparo atingiu Thamires nas costas. Após o crime, o policial fugiu sem prestar socorro.

Em depoimento, o agente admitiu que atirou mesmo sem conseguir ver quem estava dentro do carro, alegando que os vidros eram escuros e que acreditava que sofreria um assalto. Ele afirmou ainda que “ficou estagnado” durante a situação e, por isso, não tentou dar marcha à ré para evitar a aproximação do veículo.

O policial foi preso temporariamente por agentes da Delegacia de Homicídios da Capital, afastado das funções e passou a ser investigado também pela Corregedoria da Polícia Civil. Segundo o sistema do governo do estado, ele era lotado na 29ª DP (Madureira) e recebia salário de quase R$ 12 mil.

Frede Uilson já havia sido alvo de outras investigações e possui seis anotações criminais entre 2007 e 2020, sendo quatro por violência doméstica, uma por lesão corporal e outra por injúria.

Thamires trabalhava como designer de sobrancelhas e deixou duas filhas. A mais nova completou quatro anos no mesmo dia do enterro da mãe, realizado no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio.