MP inclui mais uma menina como vítima em ação por racismo contra shopping em SP

 

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O Ministério Público aponta mais uma menina como vítima de racismo numa ação movida contra o Shopping Pátio Higienópolis por um episódio que já envolvia dois adolescentes. O caso aconteceu em abril de 2025, ganhou repercussão e provocou, inclusive, protestos dentro do espaço que fica numa área nobre do Centro da capital paulista.

Na época, de acordo com a denúncia, uma segurança abordou uma menina branca e perguntou se ela estava sendo incomodada por dois adolescentes negros — um menino e outra menina que andavam com ela. Os três eram amigos.

Durante o inquérito, a defesa do shopping alegou que havia movimentação mais intensa de seguranças no dia porque outra adolescente tinha sido vista pedindo dinheiro a um homem — que era branco.

A família da garota negra citada desmentiu e reclamou da forma como ela foi mencionada na investigação, como conta o promotor Rafael Adeo Lapeiz.

"A mãe dessa adolescente se identificou no inquérito policial e me encaminhou uma representação, falando que a filha dela estava sendo retratada como uma pessoa sem nome — em tese, em situação de vulnerabilidade — e que estaria pedindo dinheiro a outra pessoa no shopping, mas aquela menina estava interagindo com o próprio pai."

O nome da adolescente, então, foi acrescentado ao processo.

O promotor afirma que fez duas reuniões com representantes do shopping no fim do ano passado para buscar a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta. Segundo ele, o centro comercial disse que só poderia dar uma resposta sobre o tratado em fevereiro, prazo considerado largo pela promotoria, que decidiu protocolar ação civil.

O Ministério Público pede indenização de dez milhões de reais por danos morais, a contratação de uma consultoria especializada em combate ao racismo e a ampliação do núcleo social do shopping, com a presença de, no mínimo, um assistente social e um psicólogo.

Na ação, o órgão cita reportagens que revelam outras denúncias de racismo no mesmo local. A mãe de uma das vítimas, Leni Pires das Mercês, disse que a família não foi procurada pelo shopping.

"Nosso sentimento é de frustração, porque, até hoje, o shopping não entrou em contato com a gente para oferecer qualquer pedido de desculpa, acolhimento ou qualquer tentativa de reparação. Todo o impacto emocional que teve foi suportado pela família."

Segundo ela, a vítima passa por acompanhamento psicológico.

A advogada que representa a família de outra vítima afirmou que o rendimento dela na escola caiu e que ela não vai mais ao shopping porque não se sente confortável.

Outra ação está em andamento na Justiça, representando um dos adolescentes. Neste processo, a Defensoria Pública pede indenização de R$ 759 mil .

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, testemunhas já prestaram depoimento, imagens do local foram coletadas e os investigadores ouvem envolvidos.

A CBN apurou que a Polícia Civil pediu a prorrogação da investigação por mais um mês.

Questionado sobre as ações do Ministério Público e da Defensoria e a afirmação da mãe de uma das vítimas, o Shopping Patio Higienópolis afirmou que desconhece os termos e vai se manifestar nos autos.