MP do Peru pede mais de 5 anos de prisão para candidato de esquerda por fraude eleitoral às vésperas do resultado do 1° turno

 

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O Ministério Público do Peru pediu mais de cinco anos de prisão para o candidato presidencial de esquerda Roberto Sánchez pelo suposto crime de declarar informações falsas ao órgão eleitoral sobre contribuições para sua campanha entre 2018 e 2020, informou a promotoria nesta quarta-feira. Sánchez tem uma leve vantagem sobre o candidato de extrema direita Rafael López Aliaga na disputa pelo segundo lugar do primeiro turno, que garante vaga no segundo turno presidencial contra a direitista Keiko Fujimori. A apuração oficial deve terminar esta semana.

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A acusação contra Sánchez encontrou inconsistências nos relatórios financeiros do partido do líder esquerdista, Juntos pelo Peru, em campanhas para eleições regionais e municipais das quais participou, segundo um documento divulgado na imprensa local e cuja autenticidade foi confirmada nesta quarta-feira à AFP pela promotoria.

"A Roberto Sánchez é atribuída a autoria dos crimes de falsa declaração em procedimento administrativo e falsificação de informações sobre contribuições e receitas de organizações políticas", afirma a acusação.

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O MP solicitou cinco anos e quatro meses de prisão para o candidato.

O órgão também pediu que Sánchez seja inabilitado para exercer cargos partidários. Segundo a acusação, parte dos recursos teria sido depositada na conta do irmão do candidato, que atuava na estrutura do partido, e uma parcela dos valores teria sido direcionada a contas pessoais do próprio político.

O caso havia sido apresentado pela primeira vez aos tribunais em janeiro de 2026, mas a Justiça o rejeitou parcialmente e pediu aos promotores que o reformulassem.

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O Poder Judiciário marcou para 27 de maio uma audiência para determinar se o caso seguirá para julgamento oral ou será arquivado.

Segundo a acusação, Sánchez teria recebido mais de US$ 57 mil (cerca de R$ 285,8 mil) em contribuições de integrantes do Juntos pelo Peru para atividades partidárias, que não foram declaradas ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

A Promotoria também aponta que, em 2020, o candidato declarou uma contribuição de cerca de 27 mil soles (aproximadamente R$ 39,5 mil) como doação em espécie, mas o suposto doador negou ter feito o aporte.

"Durante anos tentaram sustentar uma mentira para me desacreditar politicamente. A Justiça já arquivou as acusações sobre um suposto uso pessoal de recursos econômicos do partido, porque jamais existiu fraude nem apropriação indevida", afirmou Sánchez em suas redes sociais.

A defesa do candidato afirma que as acusações se referem à apresentação de relatórios financeiros elaborados pelo tesoureiro do partido, responsável por prestar contas à autoridade eleitoral. Segundo o advogado, Sánchez já havia sido investigado anteriormente por suspeitas semelhantes, mas o caso foi arquivado.

Sánchez, com 12%, e López Aliaga, com 11,9%, disputam voto a voto a passagem para o segundo turno em uma apuração que avança com atraso devido a denúncias de irregularidades na votação de 12 de abril.

Com 99,94% dos votos apurados, Keiko Fujimori lidera os resultados do primeiro turno com 17,1% dos votos.