Mouhamed Harfouch vive um momento especialmente movimentado da carreira.
Prestes a completar 100 apresentações de Meu Remédio, solo de sua autoria, produção e protagonismo, o ator retorna aos palcos após temporadas no Rio de Janeiro, aos sábados e domingos no Teatro Multiplan MorumbiShopping, onde cumpre temporada até 30 de agosto.
O artista também celebra uma sequência de novos trabalhos no audiovisual, transitando entre diferentes gêneros, personagens e universos.
Entre os projetos estão Emmanuel, no qual interpreta o mentor espiritual de Chico Xavier; Viver de Vento, longa sobre a trajetória do velejador Lars Grael, em que vive Torben Grael; além de produções como Clamor, O Zelador e a série policial Delegacia de Homicídios, da Disney.
À Quem, Mouhamed fala sobre a maturidade profissional, a relação com o teatro e a possibilidade de conciliar tantos trabalhos sem abrir mão dos palcos.
"O teatro é minha casa.
O lugar para onde sempre retorno, onde minha criança reside e onde me aprimoro sempre", afirma.
Mouhamed Harfouch
Claudia Ribeiro/Divulgação
Meu Remédio retorna a São Paulo depois de passar por cinco teatros no Rio de Janeiro e duas temporadas na capital paulista.
O que mudou em você e no espetáculo desde a estreia?
Estamos prestes a completar 100 apresentações e quase dois anos em cartaz.
Isso é uma vitória imensa! Se levarmos em conta que estar em cartaz é sempre desafiador, permanecer é motivo de muito orgulho.
O projeto nasceu de um movimento muito íntimo, cercado de muitas dúvidas, medos e uma única certeza: o título! Hoje, atingir essas marcas, conquistar dois prêmios importantes e seguir levando o público ao teatro traz uma sensação de satisfação muito grande, uma emoção mesmo, sobretudo por ser um espetáculo em que compartilho com o público minha própria história.
Acho que esse projeto me trouxe outra certeza: quero seguir escrevendo, produzindo e atuando!
Em um curto espaço de tempo, você transitou por um filme espírita, Emmanuel, um thriller policial, Delegacia de Homicídios, o longa Viver de Vento e segue levando um espetáculo autobiográfico aos palcos.
O que mais tem despertado seu interesse na escolha dos personagens que interpreta hoje?
Fazer cinema era algo que sempre desejei muito, mas não era muito convidado.
Hoje tenho tido a oportunidade de encarar lindos projetos no audiovisual, como "Emmanuel", "Viver de Vento", "Clamor" e, agora, "O Zelador".
São histórias muito potentes, diferentes entre si, em gêneros e personagens, mas tudo muito interessante! Sigo buscando contar boas histórias, então, quando elas chegam, isso é sempre uma celebração.
Você costuma alternar teatro, cinema e televisão praticamente sem pausa.
Como é sair de um set de filmagem e, no mesmo período, subir ao palco para um espetáculo tão intenso quanto Meu Remédio? Essa mudança de registro exige uma preparação diferente?
Pois é, tem sido intenso, e produzir tem me aberto a possibilidade de organizar melhor o meu tempo, organizar meu calendário para caberem tantos projetos bacanas sem abrir mão do palco.
E ainda tem a música, que entra em tudo isso também! É intenso! (Risos)
Mouhamed Harfouch
Claudia Ribeiro/Divulgação
Exige-se uma preparação diferente?
Acredito que sim, mas confesso não pensar nisso.
Tento sempre me conectar com a verdade de cada história, de forma horizontal, estar aberto e disponível para contar cada uma delas, seja no veículo que for, no gênero que for, mas sempre buscando me conectar com a verdade.
Tem sido muito bacana!
Delegacia de Homicídios marca sua entrada em uma produção policial? O que esse gênero permitiu explorar como ator que talvez você ainda não tivesse experimentado?
Na verdade, minha entrada nesse gênero se deu em "Dupla Identidade", uma série sobre um serial killer, na Globo.
Foram cenas muito intensas e um trabalho muito rico também.
Em "Delegacia", faço uma participação pequena, mas importante, que prepara o caminho para uma possível segunda temporada.
Em Emmanuel, você mergulha em uma narrativa ligada à espiritualidade, enquanto Viver de Vento percorre outro universo dramático.
O que esses projetos revelaram sobre você como intérprete e quais desafios cada um apresentou?
Emmanuel é meu segundo trabalho com Wagner de Assis.
É um trabalho muito especial, sonhado pelo Wagner há bastante tempo.
Portanto, receber o convite para dar vida ao mentor espiritual de Chico Xavier, numa jornada linda de superação e aprendizado através dos séculos, é muito emocionante.
Meu avô materno era espírita e sempre convivi de perto com esse universo.
O filme todo é muito desafiador por ser um épico que atravessa os tempos e também por ser um filme extremamente aguardado pelos fãs do livro.
Já em "Viver de Vento", interpreto Torben Grael, esse herói das velas, um dos nossos maiores recordistas olímpicos, ao lado do irmão Lars.
O filme narra a jornada do Lars, fala sobre a relação dessa família, desses irmãos que competiam entre si, descortina o fatídico acidente em que Lars perde a perna e mostra toda a sua jornada de superação.
É um filme lindo sobre resiliência, superação e amor! Dois projetos lindos e dos quais tenho a honra de fazer parte.
Muito feliz mesmo!
Mouhamed Harfouch
Claudia Ribeiro/Divulgação
Você também protagoniza um filme sobre Emmanuel.
Existe alguma transformação pessoal ou reflexão que esse trabalho despertou em você durante as filmagens?
Emmanuel significa "Deus conosco".
É um filme que passa por diversos recortes da história.
Cenas com Jesus Cristo, Nero, Pilatos...
através de um personagem que não nasceu perfeito, muito pelo contrário! Precisou passar por séculos e séculos de aprendizado para que pudesse compreender o verdadeiro sentido de sua existência.
Toda a sua imensa contribuição veio depois de muita dor, muitas encarnações e muita fé.
É uma linda lição de humildade, humanidade e fé.
Claro que isso mexe com a gente.
Mesmo com tantos projetos no audiovisual, você continua voltando aos palcos com Meu Remédio.
O teatro ainda ocupa um lugar diferente na sua vida?
O teatro é minha casa.
O lugar para onde sempre retorno, onde minha criança reside e onde me aprimoro sempre.
Quando sonhei em escrever e produzir "Meu Remédio", queria ter um espetáculo que pudesse ter sempre embaixo do braço, para levar entre um projeto e outro e que pudesse contar em tempos de escassez de convites...
Acho que consegui!
Depois de tantos personagens e linguagens diferentes, existe algum tipo de papel ou gênero que você ainda sonha em explorar e sente que este é o momento certo para isso?
Estou na maturidade e há muitas histórias interessantes para serem vividas nesta idade.
Tenho a fé de que o personagem escolhe o ator e sigo na torcida para que eles me encontrem sempre! (Risos).
Mouhamed Harfouch celebra quase 100 apresentações de 'Meu Remédio'
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