Motorista de Uber em Houston, nos Estados Unidos, e veterano de oito anos do Exército, o americano Anthony Baines foi surpreendido por um policial durante uma perseguição e acabou ajudando agentes do Departamento de Polícia de Houston (HPD) a continuar a busca por um suspeito.
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O episódio ocorreu em 7 de agosto, quando Baines seguia para buscar um passageiro e uma das policiais abriu a porta do carro, sentou no banco do passageiro e pediu que ele dirigisse.
"Vamos, vamos, vamos, vamos!", ordenou a policial, segundo as imagens registradas pela câmera do veículo.
A abordagem aconteceu durante uma perseguição iniciada depois de uma denúncia de ameaça terrorista na Seventh Street.
Segundo as informações da ocorrência, um homem havia ameaçado atirar em uma mulher e nos filhos dela em uma piscina de um condomínio.
Quando as policiais tentaram abordá-lo, o suspeito fugiu a pé.
Imagens da câmera instalada no Uber de Baines mostram o homem correndo diante do veículo, com policiais logo atrás.
Nesse momento, um dos agentes entrou no carro e pediu ajuda ao motorista.
Motorista levou policiais até a viatura
Baines decidiu levar os policiais por aproximadamente um quarteirão, permitindo que eles alcançassem a viatura e retomassem a perseguição.
Depois que os agentes deixaram o Uber, o motorista avançou mais um quarteirão e conseguiu chegar ao ponto onde deveria buscar o passageiro.
O cliente permaneceu esperando durante toda a situação.
Segundo o relato, ele não sabia exatamente o que estava acontecendo e apenas havia visto helicópteros da polícia sobrevoando a região.
Para Baines, a reação diante da situação foi influenciada pelos oito anos de experiência militar, incluindo uma missão no Iraque.
Ainda assim, ele disse ter ficado surpreso com o que aconteceu.
— Eu fiquei realmente em choque com o que estava acontecendo — afirmou Baines ao canal Fox.
Ele afirmou que nunca havia imaginado passar por uma situação semelhante durante o trabalho.
— Isso é algo que eu meio que só imaginava que acontecia em filmes de ação, quando alguém estava perseguindo uma pessoa e chamava um civil para ajudar...
Eu estava simplesmente no calor do momento, agindo sob o efeito da adrenalina — contou o motorista.
Baines, que trabalha há dois anos como motorista da Uber, classificou o episódio como “de longe a experiência mais insana” que já viveu no serviço.
Motorista era obrigado a ajudar?
A situação também fez Baines questionar se um civil é obrigado a participar de uma perseguição policial.
Segundo Doug Griffith, presidente da União dos Policiais de Houston, não há obrigação legal para que um cidadão conduza policiais ou participe de uma perseguição nos Estados Unidos.
— Não há nada que proíba alguém de fazer isso — afirmou Griffith.
Griffith também explicou que o motorista poderia ter se recusado.
— Também não há nada que impeça alguém de dizer: "Não, eu não vou fazer isso, não quero me envolver".
Não há nada que obrigue ou force alguém a ajudar — explicou o presidente da entidade.
Segundo Griffith, portanto, um cidadão pode decidir colaborar com os agentes, mas também pode optar por não participar.
Ele elogiou Baines por ter ajudado os policiais e, em tom de brincadeira, chamou o suspeito de “o garoto mais rápido do mundo”.
Mulher do motorista não gostou da decisão
Embora tenha encarado o episódio como uma experiência marcante, Baines contou que a reação em casa foi menos positiva.
A mulher não gostou de saber que ele havia permitido que os policiais o colocassem naquela situação.
— Ela não ficou muito feliz por eu ter permitido que me colocassem em uma situação dessas — contou Baines.
O suspeito conseguiu escapar e continua foragido.
A polícia informou que a investigação sobre a ocorrência que deu origem à perseguição permanece em andamento.
