Motorista de ônibus clandestino que tombou em MG é denunciado por homicídio qualificado

 

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O Ministério Público de Minas Gerais denunciou, por homicídio qualificado, o proprietário e motorista de um ônibus clandestino que tombou na BR 251, na cidade de Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais. O acidente aconteceu na noite do dia 21 de janeiro deste ano e deixou cinco mortos, entre eles uma criança de um ano e sete meses. Além disso, mais de 40 pessoas ficaram feridas.

De acordo com a Promotoria de Justiça, o acusado assumiu o risco de matar ao seguir viagem com o sistema de freios “gravemente” comprometidos. O Ministério Público também aponta que, horas antes do tombamento, passageiros o advertiram sobre falhas mecânicas, “mas o homem ignorou os alertas, não providenciando os reparos necessários”.

O ônibus partiu de Arapiraca, no estado de Alagoas, com paradas previstas em cidades da Bahia, Minas e São Paulo, rumo a São Joaquim, em Santa Catarina. O alerta, segundo as apurações, foi feito pelos passageiros na divisa entre Bahia e o estado de Minas Gerais.

O tombamento foi registrado horas depois, em um trecho sinuoso de descida de serra, entre os municípios de Salinas e Francisco Sá. Sob pista molhada, o motorista perdeu o controle do ônibus, que tombou sobre o lado direito e se arrastou por vários metros. Após o acidente, o homem ainda fugiu do local, deixando de prestar socorro às vítimas.

Conforme a investigação, o denunciado operava o transporte interestadual clandestino por meio de uma empresa irregular que não tinha autorização para realizar o serviço. O laudo pericial apontou que as lonas de freio traseiras estavam extremamente desgastadas.

A pedido do MPMG, a Justiça determinou a prisão do homem. Para o órgão, a investigação demonstrou que o motorista do veículo cometeu o crime por motivo torpe, priorizando o lucro ao invés da segurança, em meio que resultou perigo comum, uma vez que conduziu veículo de grande porte e com problemas diversos e, ainda, em trecho de serra e com chuva.

Na denúncia, o MPMG pede que o motorista do ônibus vá a júri popular, seja condenado por homicídio qualificado e sentenciado ao pagamento de indenização superior a 50 salários-mínimos aos parentes das pessoas que morreram.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres, o ônibus tinha mais de 30 autuações e havia sido apreendido em outubro em 2025 por irregularidades. Conforme detalhou a Agência, no intervalo de um ano, foram 25 autuações por evasão de postos de pesagem e outras 5 por irregularidades em equipamentos obrigatórios e a realização de transporte sem a devida autorização.