Acidentes de trânsito com mortes no Espírito Santo continuam se repetindo sem causarem a indignação e a mobilização que deveriam. Mas é impossível não se pasmar com as 835 mortes ocorridas em vias capixabas somente neste ano.
São sonhos e projetos de vida que desaparecem de uma hora para outra, na velocidade da negligência e da imprudência. As vítimas do acidente ocorrido na manhã desta segunda-feira (26) na Rodovia do Sol, na altura de Setiba (Guarapari), são protagonistas daqueles casos mais comoventes: uma mãe que levava sua filha de 7 anos para uma cirurgia em outra cidade.
Ambas morreram após o motorista do veículo ter perdido o controle em uma curva, invadido o canteiro central e atingido o outro veículo no sentido contrário. Nem mesmo a rodovia duplicada impediu a tragédia. O transporte para o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha, estava sendo feito em um Chevrolet Onix Plus da Prefeitura de Guaçuí, no Sul do Estado.
O motorista também morreu. É um caso que cruza o caminho de um outro problema, o das pessoas que precisam encarar as estradas para conseguirem tratamentos médicos.
A segurança nas rodovias acaba sendo mandatória para que a solução de um problema não se transforme em outro ainda mais grave. Com os novos eleitos, tanto para o governo quanto para o Legislativo, renovam-se as expectativas para que exista um real engajamento para a redução de violência no trânsito.
Não é só a infraestrutura das estradas que tem impacto na redução de acidentes. Também está nas mãos das decisões políticas o aprimoramento das leis, mais precisamente em Brasília, assim como mais fiscalização e mais conscientização ao volante.
A população espera medidas mais eficientes. Resultados precisam aparecer.
Não é só nas estradas, uma atuação mais presente nas ruas e avenidas também é esperada. O acidente, na madrugada de sábado (24), que matou um casal na Serra após a moto em que eles estavam se chocar com um poste na Serra é um exemplo dessa barbárie que tira vidas diariamente. Acidentes graves, como o da madrugada desta segunda-feira (26) na Avenida Dante Michelini, em Vitória, em que três homens ficaram feridos, precisam de um freio.
O caos no trânsito tem se espraiado com a nova dinâmica das bicicletas elétricas nas cidades, novidade que exige um olhar cada vez mais atento das autoridades. A organização desse ambiente no qual todos convivem se tornou uma nova fronteira civilizatória.
E quem chega para assumir seus cargos em 2027 precisa encarar o problema com seriedade e competência.
A Gazeta