Mortes e desaparecimentos de cientistas nos EUA alimentam teorias conspiratórias na internet e revoltam familiares; entenda

 

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Mortes e desaparecimentos de ao menos dez pessoas ligadas a áreas científicas e técnicas nos Estados Unidos passaram a alimentar teorias conspiratórias na internet, gerando repercussão e mobilizando autoridades. Familiares das vítimas reagem às especulações e classificam o movimento como “repugnantes”.

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Os casos, que envolvem profissionais de diferentes áreas — de pesquisadores a assistentes administrativos — vêm sendo agrupados online sob a ideia de “cientistas desaparecidos”, apesar de não apresentarem conexão comprovada entre si. Entre os episódios está o assassinato do astrônomo Carl Grillmair, de 67 anos, morto a tiros em casa, na Califórnia, em fevereiro.

Um homem de 29 anos, Freddy Snyder, foi acusado de homicídio e invasão de domicílio e deve responder à Justiça. A viúva de Grillmair, Louise, rejeita as teorias que circulam na internet.

— Acho que é um completo absurdo. Quero dizer, existem os fatos, e eles estão aí — afirma.

Ela sustenta que o crime pode ter sido motivado por vingança. Segundo seu relato, o suspeito já havia aparecido armado na propriedade anteriormente, e um vizinho chegou a acionar o serviço de emergência.

— Veio por vingança, achando que Carl foi quem ligou para o 911 — disse.

Sobre o marido, afirmou que era “provavelmente a pessoa mais gentil que já existiu”.

Outro caso que passou a circular nas mesmas listas é o desaparecimento de William Neil McCasland, general aposentado da Força Aérea, no Novo México. Segundo a mulher, Susan McCasland Wilkerson, ele deixou o celular, levou uma arma e apresentava problemas de saúde recentes.

— Indícios de que ele planejou não ser encontrado — afirmou.

Ela também rebateu associações com teorias ufológicas. Disse que o marido estava aposentado havia quase 13 anos e “não tem nenhum conhecimento especial sobre corpos extraterrestres ou destroços do acidente de Roswell armazenados em Wright-Patt”. Em tom irônico, escreveu: “Neste momento, sem nenhum sinal dele, talvez a melhor hipótese seja que alienígenas o teletransportaram para a nave-mãe”.

O desaparecimento de Melissa Casias, assistente administrativa do Laboratório Nacional de Los Alamos, também foi incluído nas especulações. O marido, Mark Casias, indicou que ela pode ter sumido por vontade própria. “Foram as seis semanas mais difíceis de nossas vidas sem você”, escreveu. “Sierra e eu estamos ficando mais preocupados a cada dia. Acreditamos que você está bem, mas não entendemos por que não entrou em contato”.

Outros episódios citados envolvem um físico do MIT assassinado por um ex-colega, um pesquisador encontrado morto após problemas familiares e um cientista que morreu de “doença cardiovascular arteriosclerótica”.

Autoridades e especialistas descartam padrão

Apesar da diversidade de circunstâncias, os casos passaram a ser tratados como um conjunto por usuários na internet, o que levou ao interesse do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes e à atuação do FBI.

Especialistas contestam a existência de padrão.

— A força de trabalho aeroespacial e nuclear dos EUA com acesso a segredos de Estado é de cerca de 700 mil pessoas — afirma escritor científico Mick West.

Segundo ele, “a mortalidade comum ao longo de 22 meses prevê cerca de 4 mil mortes, cerca de 70 homicídios e cerca de 180 suicídios".

— A lista tem 10… As mortes são reais. O luto das famílias é real. O padrão não é.

Para familiares, o principal impacto tem sido emocional. Louise Grillmair afirma que tentou rebater as especulações com informações concretas.

— Eu disse: ‘Bem, posso oferecer algo melhor que uma opinião. Eu tenho os fatos'.

Ela também classificou as teorias como “desrespeitosas com a memória deles”. Outros parentes usaram termos como “terríveis” e “repugnantes” para descrever a circulação de versões não comprovadas, enquanto alguns optaram por não se manifestar publicamente para evitar mais exposição.