Morte do cão Orelha: polícia diz que adolescente apontado como autor 'se contradisse e mentiu' ao depor

 

Fonte:


A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta terça-feira (3) a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha e afirmou que o adolescente apontado como autor do ataque “se contradisse e mentiu” durante o depoimento. Com base no conjunto de provas reunidas ao longo de quase um mês, a corporação pediu à Justiça a internação do jovem, medida equivalente à prisão no sistema adulto, em razão da gravidade do caso.

Cachorro Orelha: Polícia conclui investigação e pede internação de apenas um dos quatro adolescentes investigados

Pedro Turra: Desembargador nega habeas corpus e mantém prisão de piloto por agressão a adolescente no DF

Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no Norte da Ilha, em Florianópolis. De acordo com laudos da Polícia Científica, o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. Resgatado por populares no dia seguinte, o cão morreu em uma clínica veterinária em decorrência dos ferimentos.

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), com apoio de uma força-tarefa que envolveu diferentes órgãos de segurança do Estado. Para chegar à autoria, a polícia analisou mais de mil horas de imagens captadas por 14 câmeras na região, ouviu 24 testemunhas e investigou oito adolescentes inicialmente suspeitos.

Segundo a Polícia Civil, o adolescente apontado como autor do ataque saiu do condomínio onde mora às 5h25 da manhã do dia do crime e retornou às 5h58, acompanhado de uma amiga. Em depoimento, porém, ele afirmou que havia permanecido no interior do condomínio, na área da piscina, sem saber que os investigadores já tinham acesso às imagens de câmeras de segurança e ao controle de acesso da portaria. As gravações, somadas a testemunhos e à identificação das roupas usadas pelo jovem, comprovaram que ele estava fora do condomínio no momento do ataque.

Initial plugin text

Outro ponto que pesou na investigação foi o fato de o adolescente ter viajado para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos do caso. Ele permaneceu no exterior até 29 de janeiro, quando foi interceptado ao desembarcar no aeroporto. Na ocasião, um familiar tentou esconder um boné rosa que estava em posse do jovem, além de um moletom que, de acordo com a polícia, aparece nas imagens registradas no dia do crime. O parente tentou justificar que a peça havia sido comprada durante a viagem, versão desmentida pelo próprio adolescente, que admitiu já possuir o moletom antes.

Para reforçar a linha investigativa, a Polícia Civil também utilizou um software francês de análise de localização, que apontou a presença do adolescente na área onde Orelha foi atacado no horário do crime. Durante o depoimento prestado nesta semana, conforme a corporação, o jovem apresentou versões contraditórias e mentiu em diferentes momentos, o que contribuiu para o encerramento do inquérito.

Além do caso Orelha, a polícia concluiu a investigação sobre maus-tratos ao cão Caramelo, envolvendo quatro adolescentes, e indiciou três adultos por coação a testemunha relacionada à morte do cão comunitário. Todo o procedimento seguiu as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário para apreciação.

Com a extração e a análise dos dados dos celulares apreendidos, a Polícia Civil espera ainda corroborar provas já reunidas e identificar eventuais novos elementos sobre o caso.