Morte de mulher após aplicação de PMMA: entenda os riscos da substância

Morte de mulher após aplicação de PMMA: entenda os riscos da substância

 

Fonte: Bandeira



Uma mulher de 48 anos, identificada como Roseli, morreu na manhã de terça-feira (26) após um procedimento de injeção de polimetilmetacrilato, mais conhecido pela sigla PMMA, na região dos glúteos e na face posterior das coxas da paciente. De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, que ainda investiga as circunstâncias da morte, o procedimento foi realizado para finalidade estética de remodelação corporal.

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Entretanto, o uso de PMMA não é aprovado para esta finalidade. Em julho de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que a substância continua liberada no país apenas para alguns casos médicos específicos, que não contemplam fins estéticos, após reavaliação motivada por alerta do Conselho Federal de Medicina (CFM).

As indicações de uso aprovadas são para corrigir defeitos tegumentares (de pele) e de volume facial e corporal por motivações de saúde e sob indicação médica, "reforçando que não há indicação para aumento de volume meramente estético", diz a agência.

Embora seja comum que clínicas e profissionais pelo Brasil ofereçam preenchimento com o PMMA sem indicação, como fica explícito no caso mais recente.

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"As notificações recebidas pela Agência foram avaliadas e indicam casos de aplicação em volumes superiores aos aprovados pela instituição. A aplicação em região glútea, por exemplo, é recomendada apenas para pacientes com lipodistrofia associada ao uso de antirretrovirais e deve respeitar o limite de 60 mL por glúteo, conforme as indicações dos fabricantes", explica a autarquia.

Riscos do PMMA

O PMMA, ou polimetilmetacrilato, é uma substância plástica, que não é reabsorvível pelo organismo. Ela é utilizada como um preenchedor em forma de gel durante procedimentos para corrigir pequenas deformidades e para casos de lipodistrofia – uma perda de gordura facial que pode ocorrer em pessoas que vivem com HIV.

E também para correção volumétrica facial e corporal, que é uma forma de tratar alterações, como irregularidades e depressões no corpo, fazendo o preenchimento em áreas afetadas. Ao ser aplicado de forma mais profunda na pele, ele pode desencadear complicações graves, como as infecções e a rejeição do corpo. Além disso, por não ser reabsorvível pelo organismo, ele se adere a estruturas como músculos e ossos, o que torna a sua remoção quase impossível.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) condena o seu uso em procedimentos estéticos. Em nota publicada no ano passado, a entidade reiterou que o uso fora das orientações médicas – em pequenas deformidades e na lipodistrofia – “é extremamente perigoso”.

“Apesar do produto ser comercializado em nosso meio, o mesmo pode ocasionar complicações precoces e tardias de difícil resolução. Dentre as complicações podemos citar: nódulos, massas e processos inflamatórios e infecciosos ocasionando danos estéticos e funcionais desastrosos e irreversíveis. (...) De acordo com relatos nos trabalhos científicos, as complicações mais graves como necroses, cegueiras, embolias e óbitos apresentam maior frequência com este produto do que com os preenchedores absorvíveis”, diz a nota.

A Anvisa também já demonstrou preocupação com o uso inadequado do PMMA e os riscos para a saúde. Além dos já mencionados, a agência reforçou que, nos casos indicados, “o produto deve ser administrado por profissionais médicos treinados”, para evitar complicações.