Morte de advogado com 18 tiros no Centro do Rio: promotor diz que já sabe quem é o mandante do assassinato

 

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A polícia já teria pistas de quem seria o mandante da morte do advogado Rodrigo Crespo, assassinado a tiros em fevereiro de 2024, no Centro do Rio. Foi o que afirmou, durante a sustentação no plenário, neste segundo dia do julgamento de três acusados de executar o crime, o promotor Bruno de Faria Bezerra. Segundo o promotor, as investigações já avançaram na identificação de quem teria ordenado o assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo.

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Ele, no entanto, não citou o nome do mandante do assassinato do advogado.

— Já sabemos quem é o mandante. Isso já está caminhando. É um crime com assinatura. Não precisava descarregar os 18 tiros, mas eles fizeram para deixar uma marca e mandar uma mensagem  — disse o promotor.

O segundo dia de julgamento dos réus começou, na manhã desta sexta-feira, no III Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio. Na véspera, primeiro dia da sessão, foram ouvidas as 14 testemunhas previstas no processo — quatro indicadas pelo Ministério Público e dez pelas defesas. Uma delas, o delegado Rômulo Assis, que investigou o caso, afirmou que a vítima tinha interesse em abrir um 'sport bar' — uma casa de apostas — no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio. O espaço funcionaria dentro de um clube de poker já existente na área. Para isso, buscava uma parceria para consolidação do negócio.

De acordo com Rômulo Assis, a vítima estava realizando estudos, escrevendo artigos sobre bets e pouco tempo antes do assassinato, chegou a providenciar uma viagem para uma feira do segmento.

Nesta sexta-feira, o julgamento entra na fase de debates entre acusação e defesa. O Ministério Público tem a palavra para fazer a acusação — o assistente de acusação poderá falar depois. Em seguida, é a vez de a defesa ser ouvida.

O advogado Rodrigo Marinho Crespo, assassinado no Centro do Rio, em fevereiro

Divulgação

Após os debates, os jurados podem pedir esclarecimentos adicionais e ter acesso aos autos e aos instrumentos do crime. O Conselho de Sentença responderá a uma série de questões que vão decidir sobre absolvição ou condenação dos acusados. Em caso de condenação, após uma bateria de questionamentos, o juiz distribuirá aos jurados as cédulas que serão usadas para a votação. A decisão será tomada por maioria dos votos. Concluída a votação, o juiz dará a sentença.

Na abertura da sessão desta sexta-feira, o promotor Bruno de Faria Bezerra afirmou que o caso envolve pessoas ligadas a atividades criminosas organizadas.

— Essas pessoas não têm escrúpulos. Estamos falando de pessoas envolvidas com máfia do cigarro, com jogo do bicho e, quem tiver que ser, eles matam — disse o promotor.

O representante do Ministério Público também criticou as versões apresentadas pelos réus durante os interrogatórios realizados no primeiro dia de julgamento.

— As versões apresentadas pelos réus ontem foram completamente esdrúxulas — afirmou.

*Estagiário sob supervisão de Leila Youssef

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