MorreTeresinha Soares, artista que deixa obra marcada pela representação do corpo feminino, aos 99 anos
A artista plástica, cronista e poeta, Teresinha Soares morreu na madrugada desta terça-feira (31) aos 99 anos. De forma pioneira, a artista mineira colocou em evidência o corpo e o desejo feminino com obras marcadas pelo erotismo, contestação e crítica. Teresinha quebrou o fêmur há cerca de três semanas, e estava internada no hospital Felício Rocho, segundo informações do Estado de Minas. O velório será nesta quinta (2), às 9h, na Funeral House, na região Central de Belo Horizonte.
Catherine Pégard: Nova ministra da Cultura da França busca 'ajustar' o plano de renovação do Louvre e aumentar a segurança
Em Paris: Formada a partir da amizade com artistas, coleção do crítico Roberto Pontual vai a leilão
"É com grande pesar que a família comunica o falecimento da artista Teresinha Soares (1927–2026), deixando um legado marcante nas artes e na memória de todos que a conheceram", diz o comunicado da família publicado no instagram da artista.
Initial plugin text
Nascida em Araxá e radicada em Belo Horizonte, a artista desenvolveu, nos anos 1960 e 1970, pinturas, desenhos, objetos, esculturas e performances permeadas por temas de gênero, política e crítica social. Mãe da também artista Valeska Soares, ela interrompeu sua produção em 1976, mas sua obra manteve-se como uma referência da arte brasileira na segunda metade do século XX.
Suas obras estiveram presentes em três edições da Bienal de São Paulo, e mostras internacionais como "The EY exhibition: The world goes pop" no Tate Modern (Londres); "Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985" no Brooklyn Museum (Nova York), Hammer Museum e Pinacoteca de São Paulo.
Além disso, teve sua trajetória revisitada na retrospectiva: "Quem tem medo de Teresinha Soares?" (Masp, 2017); "Teresinha Soares" (Palácio das Artes, em Belo Horizonte, 2018); e "Um alegre teatro sério" (Gomide&Co, em São Paulo, 2023). Mais recentemente intergou a mostra "Pop Brasil: vangarda e Nova Figuração, 1960-70", apresentada na Pinacoteca de São Paulo e no Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Malba), que incluiu obras como a sua "Caixa de fazer amor" (1967).
"Morra usando as legítimas Alpargatas" (1968), de Teresinha Soares
Reprodução/ Obras do documentário 'Mulheres radicais' - Teresinha Soares
Em 2025, a quarta edição da feira SP-Arte Rotas apresentou um diálogo em suas obras e de Valeska Soares, na seção curada Mirante, com trabalhos selecionados pelo diretor artístico da feira, Rodrigo Moura. Moura também assinou a retrospectiva de Teresinha no Masp, com Camila Bechelany, e era curador do Malba quando a coletiva "Pop Brasil" foi montada em Buenos Aires, em dezembro no ano passado. Com a mostra, o museu argentino adquiriu uma tela da artista para o seu acervo, da série "Acontecências" (1967).
— Conheci a Teresinha na década de 1990, quando era repórter do Tempo, de Belo Horizonte, e fui fazer um perfil dela. Perguntei o que a tinha levado a fazer arte, e, depois, a parar de fazer. Ela me disse que achava ter feito tudo o que precisava em dez anos, depois ficou satisfeita — recorda Moura. — No Masp, conseguimos revisitar os desenhos, passando pela pintura e os objetos, que marcaram a produção dela nos anos 1960. Na virada da década seguinte, ela vai para as instalações, e, depois, embarca no trabalho de performance, nos happenings. A Teresinha foi uma espécie de cometa. Tinha uma irreverência no trabalho, dialogava como que estava acontecendo, mas em nenhum momento ela buscou aprovação, falou do que ela quis.
