Morre Silvano Raia, cirurgião brasileiro que foi o 1º a realizar transplante de fígado de doador vivo no mundo, aos 95 anos
O cirurgião Silvano Raia, uma das maiores autoridades em transplantes no Brasil e no mundo, morreu na manhã desta terça-feira, aos 95 anos, em decorrência de problemas pulmonares.
O médico era professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro da Academia Nacional de Medicina (ANM). Ficou conhecido internacionalmente por realizar o 1º transplante de fígado de doador vivo no mundo, em 1989, que possibilitou a ampliação de procedimentos do tipo para crianças.
Raia também foi pioneiro na realização de transplante de fígado de um modo geral na América Latina, na década de 1980, no Hospital das Clínicas da USP.
— Ele foi uma das maiores referências mundiais em transplantes não só pela excelência técnica, mas pela inovação. Ele estava sempre a um passo além de todos nós — diz Roberto Kalil, cardiologista e professor da FMUSP.
Nos últimos anos, Raia dedicava seu trabalho à área de xenotransplantes, o transplante de órgãos de animais geneticamente modificados para humanos. No final de março, ele liderou a iniciativa da USP que conseguiu obter o primeiro porco clonado do Brasil e da América Latina.
— Perdemos um grande cientista, um grande líder e um grande ser humano. Apesar da enorme tristeza, vamos continuar o projeto dele — diz a geneticista e professora da FMUSP Mayana Zatz, que também liderou a iniciativa.
Raia também foi membro fundador da Sociedade Latino Americana de Hepatologia, a qual presidiu em 1968, e membro do College of Surgeons, do American College of Surgeons e da Royal Society of Medicine (1966).
— A medicina brasileira perde um grande professor, visionário e grande líder — afirma Jorge Kalil, imunologista e professor da FMUSP, que também atua no projeto do xenotransplantes.
No Brasil, Raia foi presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, de 1982 a 1983, e também participava da Associação Paulista de Medicina, da Associação Médica Brasileira e de outras importantes entidades científicas do país. Entre 1993 e 1995, foi secretário municipal de Saúde de São Paulo.
— Silvano Raia deixa um legado incontornável na medicina brasileira, marcado pela excelência, pioneirismo e dedicação à formação de gerações de profissionais — diz a professora de Emergências da FMUSP Ludhmila Hajjar.
