O ex-vereador de Niterói Paulo Eduardo Gomes morreu na noite deste sábado (5), aos 75 anos. Militante histórico da política niteroiense, PEG, como era conhecido por amigos e companheiros de partido, enfrentava um câncer. A informação sobre a morte foi divulgada em suas redes sociais neste domingo (6). O velório será realizado neste domingo, na Câmara Municipal de Niterói, das 15h às 19h. O sepultamento está marcado para segunda-feira (7), no Parque da Colina, em Pendotiba, na Capela 2, das 12h45 às 14h45. Paulo Eduardo Gomes foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e, posteriormente, participou da construção do PSOL, partido ao qual era filiado. Ao longo de sua trajetória política, foi candidato à Prefeitura de Niterói por duas vezes e exerceu mandatos como vereador, com votações expressivas. Formado em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Paulo ingressou na Embratel logo após concluir a graduação. Na empresa, participou da fundação da Associação dos Empregados da Embratel, entidade que presidiu por três mandatos. Na política, dedicou parte de sua atuação à defesa da saúde pública e dos direitos humanos. Costumava se apresentar como um "ativista do SUS".
A morte de Paulo Eduardo Gomes provocou manifestações de políticos e companheiros de militância. O ex-deputado estadual Marcelo Freixo afirmou que PEG foi um "militante histórico da política niteroiense" e lembrou a parceria entre os dois durante sua passagem pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). "Fomos companheiros de partido por anos e, enquanto estive na Alerj como deputado estadual, sempre pude contar com o trabalho de PEG na Câmara de Niterói", escreveu Freixo. A deputada federal Talíria Petrone também lamentou a morte. Ela lembrou que começou sua trajetória política como vereadora de Niterói ao lado de Paulo Eduardo Gomes, há dez anos. "Ele me ensinou tanto sobre a cidade que amo! Sobre política que é feita olhando as pessoas, e não os negócios!", publicou Talíria. Para a deputada, Niterói perdeu "uma de suas maiores lideranças". O deputado federal Pastor Henrique Vieira, que foi vereador de Niterói, também relembrou a convivência com Paulo. Em uma publicação, contou que, aos 24 anos, quando foi eleito para a Câmara, costumava esquecer a gravata e recorria ao colega. "Quando fui eleito vereador em Niterói, eu tinha 24 anos e vivia esquecendo a gravata. O Paulo sempre tinha uma para me emprestar. Demorei a entender que aquilo não era sobre gravata. Era um jeito de dizer: você pertence a este lugar, garoto. Fica aqui", escreveu Henrique. O deputado também destacou a trajetória política de PEG: "Engenheiro, sindicalista, ajudou a construir o PSOL. Foi vereador e candidato a prefeito da cidade que amava. A história das lutas populares de Niterói passa por ele". Fernando Tinoco, presidente do Clube Central e ex-chefe de gabinete de Paulo Eduardo Gomes, destacou a atuação do ex-vereador em defesa dos clubes da cidade. — Na Câmara trabalhamos na emenda que estendeu aos clubes o direito de aderir ao programa Empresa Cidadã na pandemia, fazendo com que agremiações sobrevivessem àquele triste período. Como fundador da Frente Parlamentar de Defesa dos Clubes Sociais e Esportivos, ele criou legislações importantes que protegeram as sedes dos clubes da especulação — disse Tinoco. Em uma publicação nas redes sociais, a página de Paulo Eduardo Gomes destacou a dedicação do político à cidade e às lutas populares e democráticas. "Paulo dedicou sua vida à luta da classe trabalhadora e à cidade de Niterói, que tanto amava", diz o texto. A publicação também afirmou que a trajetória de Paulo "se confunde com a história das lutas populares e democráticas de Niterói". Ao anunciar a morte, os companheiros de militância encerraram a homenagem com a frase: "Vivem mais os que morrem lutando. Paulo Eduardo, presente!".
O Globo