Morre o ilustrador Claudio Duarte, que atuou no GLOBO e vencedor do prĂŞmio Esso
Morreu neste domingo aos 66 anos o ilustrador Claudio Duarte, que atuou na Redação do GLOBO entre 1986 e 2014. O cartunista, vencedor do prĂŞmio Esso na categoria de artes visuais em 2001, era conhecido pelos colegas pela sensibilidade para ilustrar assuntos delicados e capacidade de adaptação aos meios digitais, tendo sido um dos primeiros no jornal a dominar ferramentas como Photoshop, mesmo com o inĂcio da carreira ainda na Ă©poca do papel e lápis. O enterro ocorrerá na manhĂŁ segunda-feira, em FlorianĂłpolis, onde vivia e atuava como freelancer. Cláudio vinha lutando contra um câncer, chegou a fazer uma cirurgia, mas a doença se espalhou. Ele estava consciente e morreu em casa, ao lado da namorada e de seu Ăşnico filho, Francisco.
Cláudio era bastante requisitado pelos editores do jornal pela versatilidade e agilidade. Ele foi responsável pelas calungas, os pequenos desenhos que ilustravam notas ou notĂcias mais curtas, e por caricaturas das capas de cadernos.
— Conheci o Cláudio em 1997, quando adentrei na equipe de arte do jornal. Ele já era um ilustrador consagrado e muito requisitado. Lembro que ele fazia todas as capas do antigo Jornal da FamĂlia, que era publicado todos os domingos no GLOBO. Ao longo de sua carreira, ganhou vários prĂŞmios de designer com suas ilustrações, tanto nacionais quanto internacionais — ressalta o designer AndrĂ© Mello.
O ilustrador Cláudio Duarte morreu neste domingo
Reprodução/Redes sociais
A personalidade calma e respeitosa do ilustrador era vista como uma das principais qualidades do ilustrador, que além do trabalho nas artes visuais também se arriscava na música. Ele chegou a atuar como guitarrista e violinista, além de compositor, de uma pequena banda da equipe de arte do GLOBO, chamada “Moleque burro Blues Band”.
— Trabalhei com o Cláudio de 1998, quando entrei no jornal, atĂ© o ano da sua saĂda. Ele era um Ăłtimo profissional, figura finĂssima, um excelente ser humano. Bastante calmo e respeitoso no trato com todos. Vai deixar muita saudade, mas um pouco dele vai nos acompanhar com certeza — destaca Renato Carvalho, ilustrador do GLOBO.
Claudio era devoto de São Francisco de Assis, protetor dos animais e do meio ambiente, e atuava com generosidade na Redação.
— Ele sempre foi um profissional muito correto, raramente atrasava alguma entrega, uma caracterĂstica muito importante para o fechamento das edições — aponta o designer Fernando Alvarus, que atuou por 20 anos com Cláudio no GLOBO.
Cláudio deixou o Rio de Janeiro rumo a Santa Catarina, onde ainda atuou remotamente no jornal, enviando as ilustrações por meio da internet.
— Cláudio Duarte era aquele cara que jogava nas onze, como se diz por aĂ. Sempre pronto para todo tipo de trabalho, por isso, era muito querido por editores. Resolvia tudo sempre com a sua habilidade, o que nĂŁo Ă© fácil num jornal diário. E, por anos, marcou com suas caricaturas a coluna do Swann. Virou uma marca registrada no jornal — pontua o ilustrador Paulo Cavalcante.
O ilustrador foi homenageado pelo filho Francisco Duarte nas redes sociais:
"ParabĂ©ns pela vida que vocĂŞ teve, papai. Nasceu pobre, na periferia do Rio de Janeiro, em meio a ditadura militar, apenas com o ensino mĂ©dico, para se tornar um dos maiores ilustradores da histĂłria do paĂs, Venceu na vida apenas com suas canetas e muita força de vontade", escreveu.
