Morre Alexander Butterfield, ex-assessor de Nixon e figura-chave no escândalo Watergate, aos 99 anos

 

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Morreu aos 99 anos Alexander Butterfield, ex-assessor do presidente Richard Nixon que desempenhou um papel decisivo no desfecho do escândalo Watergate ao revelar, durante depoimento ao Senado em 1973, a existência de um sistema secreto de gravações na Casa Branca — descoberta que acabaria contribuindo para a renúncia do presidente no ano seguinte.

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A morte foi confirmada à agência Associated Press por sua esposa, Kim, e pelo ex-conselheiro da Casa Branca John Dean, que também teve papel central nas investigações do caso, nesta segunda-feira. Butterfield ficou conhecido por um depoimento histórico prestado ao Senado em julho de 1973, quando confirmou a existência de um sistema de gravação instalado no gabinete presidencial. A revelação abriu uma nova frente na investigação do Watergate e levou à exigência de entrega das gravações da Casa Branca.

Butterfield havia supervisionado a instalação do sistema de gravações em 1971, em coordenação com o Serviço Secreto dos Estados Unidos. Microfones foram colocados no Salão Oval e em outros ambientes usados por Nixon para reuniões.

O próprio presidente autorizou o sistema para registrar conversas e poder contestar eventuais vazamentos ou divergências sobre o conteúdo de reuniões, evitando depender apenas de anotações de assessores. Durante meses, Butterfield foi uma das poucas pessoas em Washington que sabiam da existência dessas gravações.

A situação mudou quando o Senado passou a suspeitar da existência dos áudios após o depoimento de John Dean. Questionado diretamente por investigadores em julho de 1973, Butterfield confirmou o sistema.

— Senti que não tinha escolha a não ser responder de forma direta — disse ele anos depois em entrevista ao Washington Post.

Disputa pelas gravações levou à renúncia de Nixon

A revelação desencadeou uma intensa disputa judicial pelas gravações presidenciais. O procurador especial Archibald Cox e o Senado emitiram intimações exigindo acesso ao material, afirmou a CNN Portugal.

A resistência de Nixon em entregar as fitas provocou uma crise política que ficou conhecida como Massacre de Sábado à Noite, quando dois altos funcionários do Departamento de Justiça renunciaram após se recusarem a demitir o procurador responsável pela investigação.

Quando as gravações foram finalmente divulgadas, uma delas — conhecida como “smoking gun” — mostrou que Nixon participou do encobrimento do arrombamento na sede do Partido Democrata. Diante das evidências, o presidente acabou renunciando ao cargo em agosto de 1974, tornando-se o único líder americano a deixar a presidência dessa forma.

Carreira militar e atuação no governo

Butterfield ingressou na Força Aérea dos Estados Unidos em 1948 e chegou ao posto de coronel, tendo servido também na Guerra do Vietnã e recebido a Distinguished Flying Cross, uma das mais altas condecorações militares do país.

Ele chegou à Casa Branca com o apoio de H. R. Haldeman, chefe de gabinete de Nixon e amigo de longa data. Inicialmente, atuou como assistente-adjunto do presidente e acabou se tornando um dos assessores mais próximos do líder americano.

Em 1972, Nixon o nomeou administrador da Federal Aviation Administration (FAA). No entanto, após o escândalo Watergate e a renúncia presidencial, sua carreira no governo foi afetada. Butterfield deixou o cargo em 1975 durante o governo de Gerald Ford.

Depois de sair da administração pública, Butterfield passou a trabalhar no setor privado na área de transporte aéreo e se estabeleceu em La Jolla, na Califórnia.

Ele foi personagem central do livro The Last of the President’s Men, publicado em 2016 pelo jornalista Bob Woodward, um dos repórteres que revelaram o caso Watergate.