A atriz Clodd Dias morreu aos 49 anos na quinta-feira (6). Com trabalhos nas séries As Five (Globoplay) e Manhãs de Setembro (Prime Video), a artista se tornou um nome forte um busca da representatividade trans em produções audiovisuais. A notícia foi confirmada para Quem pelo Sindicato dos Artistas do Estado de São Paulo na manhã desta sexta-feira (7).
O velório e o sepultamento acontecerão no Cemitério da Vila Formosa, na cidade de São Paulo, na tarde desta sexta. A causa da morte não foi divulgada pela família.
Nascida em Itapetininga, no interior paulista, Clodd iniciou na trajetória artística com apenas 14 anos. Depois de se mudar para a cidade de São Paulo, ingressou no Teatro Escola Célia Helena, onde se formou em 2001. "É com profundo pesar que comunicamos o falecimento da artista itapetiningana Clodd Dias, que deixa um importante legado para a cultura brasileira. Atriz, cantora e artista de grande talento, Clodd construiu uma carreira marcada por trabalhos no teatro, cinema e streaming", informa a nota.
O comunicado do Sated-SP enaltece que Clodd foi uma profissional vanguardista. "Mulher trans negra, Clodd é e representa uma falange fundamental na luta por representatividade e pioneirismo LGBTQIAPN+ nas artes cênicas, tendo integrado grupos de destaque como o Coletivo Negro e o Pessoal do Faroeste". Nos palcos, Clodd participou de peças como Entrega para Jezebel, Mãe de Santo, A Mulher que Digita, Esperando Godot e Negrinha. No audiovisual, participou ainda das séries Ayô (2025) e Notícias Populares (2022), além dos filmes Rodeio Rock (2023), O Clube das Mulheres de Negócios (2022) e Dois Mais Dois (2021). Entre março e abril deste ano, a atriz participou do espetáculo O Céu Fora Daquela Janela, no Sesc Vila Mariana. Além de atuar, Clodd era cantora, poetisa e dubladora.
Clodd Dias na peça 'O céu fora daquela janela', encenada entre março e abril de 2026, no Sesc Vila Mariana Ale Catan O jornalista e crítico teatral Miguel Arcanjo Prado definiu Clodd como "uma atriz de rara sensibilidade e uma joia rara da cultura brasileira". Em sua homenagem, ele recordou um prêmio concedido a Clodd. "Como uma tigresa, ela inventou o seu lugar. Tive a honra de poder ter lhe concedido, em vida e no palco emblemático do Theatro Municipal, o Prêmio Arcanjo em 2021, quando ela e Divina Nubia receberam o troféu em Streaming TV pela atuação na série Manhãs de Setembro ao lado da Liniker, um marco na representatividade trans na TV". Como obra inédita, ela deixa a série Tarã, protagonizada por Xuxa e Angélica. Gravada em 2022, a produção segue sem data de lançamento prevista. Na trama, Clodd interpreta a guerreira Amina. Clodd Dias interpreta a guerreira Amina na série 'Tarã', gravada em 2022 e sem data de estreia prevista Reprodução/Instagram Famosos lamentam morte de Clodd Dias Nas redes sociais, personalidades do meio artístico, como Mel Lisboa, que trabalhou com Clodd na peça Luz Negra, e Grace Gianoukas, que atuou com ela no filme Clube das Mulheres de Negócios, lamentaram a morte.
Ruy Cortez, diretor teatral: "Tristeza absoluta com a perda de Clodd Dias, mais uma mulher trans preta que nos deixa, mais uma atriz, uma artista brasileira que foi sendo morta pela tristeza de um país, que não valoriza seus artistas, pior os maltrata com absoluto desinteresse. Clodd sempre lutou por condições de dignidade para si. Triste quando constatamos que mais uma vez falhamos. Clodd era uma artista visceral. Uma artista nata. Desde de o tempo da escola, quando ela fez um Firs inesquecível, Clodd era tida como um talento nato, absoluto. Que os deuses a acolham, recebam em puro amor". Mel Lisboa, atriz: "Triste demais". Clodd Dias e Mel Lisboa na peça 'Luz Negra', encenada entre 2014 e 2016 Bob Souza Marcelo Médici, ator: "Que tristeza".
Grace Gianoukas, atriz: "Que notícia difícil de aceitar". José Trassi, ator: "Meu Deus. Que triste. Ela era incrível e estava sempre em movimento. Meus sentimentos aos familiares e que esteja no melhor lugar de merecimento". Sandra Conveloni, atriz: "Ela era uma artista incrível". Famosos lamentam a morte de Clodd Dias Reprodução/Instagram
Revista Quem