Morar em Portugal: veja salários, vistos e as novas regras de migração para brasileiros - QTU Questões do Universo

Morar em Portugal: veja salários, vistos e as novas regras de migração para brasileiros

Fonte: Bandeira da fonte

Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança, custo de vida e oportunidades para quem quer morar fora.
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Para os padrões do continente europeu, Portugal é um destino acessível para brasileiros que, não à toa, formam a maior comunidade estrangeira no país, somando mais de 500 mil residentes.
Com o idioma comum como principal atrativo para adaptação e um clima mediterrâneo, com verões frescos e invernos chuvosos, o país ocupa a 7ª posição no Global Peace Index.

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Já o salário mínimo é um dos mais baixos da zona do euro, fixado pelo governo português em € 920 mensais (cerca de R$ 5.700), e, combinado com o custo de vida crescente em Lisboa e Porto, pode apertar o orçamento de quem não chega com emprego ou renda garantidos.

Viver pelo mundo: Portugal
Para uma pessoa solteira, os gastos mensais com alimentação giram em torno de € 250 (cerca de R$ 1.500), valor que engloba tanto as compras de supermercado quanto o hábito de comer fora.
Já o gasto com contas (luz, gás, água e internet) gira entre € 100 e € 120 (cerca de R$ 580 a R$ 700) mensais.
A eletricidade, por exemplo, é um componente central das contas fixas, influenciada por recorrentes reajustes tarifários.

O sistema de saúde do país funciona através de um modelo misto, mas é fortemente ancorado no sistema público e universal, o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A porta de entrada para qualquer cidadão ou residente legal em Portugal é o Centro de Saúde do seu bairro ou Concelho (equivalente aos postos de saúde ou Clínicas da Família no Brasil).
Hoje, paga-se de € 14 a € 18 pelo serviço de pronto-socorro se o paciente for por conta própria e a situação não for considerada uma emergência real.
Além disso, o mercado de planos de saúde custa em média entre € 30 e € 50 mensais para um jovem adulto.

'É difícil pra quem ganha salário mínimo'
Com um salário mínimo baixo para os padrões europeus, os preços dos aluguéis nas principais cidades preocupa, com valores que variam entre € 350 e € 500 (cerca de R$ 2 mil e R$ 2,9 mil).
O aluguel de um apartamento de um quarto em Lisboa, por exemplo, pode custar entre € 900 e € 1.300 (R$ 5.200 e R$ 7.600).
Já em áreas afastadas, como Amadora ou Odivelas, os aluguéis ficam entre € 850 e € 1.100 (R$ 5 mil e R$ 6.300).
Pedestre caminha em uma calçada de Lisboa
Patrícia de Melo Moreira/AFP
Para Sanny Ferreira, brasileira que emigrou para Lisboa há sete anos, os altos preços de moradia são um fator preocupante, que parecem só encarecer e contrastam com a renda mínima do país.

— Mesmo com o custo de vida sendo bom em outros setores, como alimentação e transporte, o problema maior é o aluguel, que está muito caro e cada vez mais valorizado, até pela vinda de tantos estrangeiros.
Assim fica muito mais difícil para quem ganha um salário mínimo — disse a brasileira, em entrevista ao GLOBO.

Novas regras de imigração
Com a promulgação da nova Lei dos Estrangeiros de 2025, as regras para imigração foram endurecidas, eliminando a antiga "manifestação de interesse", que permitia que imigrantes não qualificados chegassem como turistas e se legalizassem trabalhando em qualquer área, tornando obrigatória a obtenção de visto consular ainda no país de origem.
O novo cenário prioriza profissionais altamente qualificados e restringe o visto de procura de trabalho a quem comprove formação superior ou técnica.

As mudanças de endurecimento das regras para concessão de cidadania refletem um movimento mais amplo do governo português de restrição da política migratória.
A principal alteração atinge quem busca a cidadania por tempo de residência.
O prazo mínimo para conseguir a cidadania passou de cinco para sete anos para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), grupo do qual o Brasil faz parte, e pode chegar a 10 anos para estrangeiros de outras nacionalidades.

A nova Lei, que entrou em vigor em maio deste ano, altera a forma de contagem do prazo, restringe critérios para filhos de imigrantes e pode ampliar ainda mais o tempo de espera.
Segundo o governo, as portas não estão fechadas, mas também não estão mais escancaradas.
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Apuração de Leonardo Marchetti, com colaboração da estagiária Letícia Guimarães