Morando em Ubatuba, cantor do Bring Me The Horizon fala da popularidade no Brasil e expectativa para o Rock in Rio - QTU Questões do Universo

Morando em Ubatuba, cantor do Bring Me The Horizon fala da popularidade no Brasil e expectativa para o Rock in Rio

Fonte: Bandeira da fonte

O look com uma camiseta regata sobre o torso quase 100% tatuado desperta logo uma dúvida em relação a Oli Sykes, cantor do grupo inglês Bring Me The Horizon.
Ele está no verão inglês ou no inverno brasileiro?
— No inverno brasileiro — brinca o músico de 39 anos.
— O verão britânico costumava ser agradável, mas agora está rolando uma espécie de verão brasileiro lá.
Aqui estamos mais tranquilos.
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Sykes fala por vídeo de sua casa na região de Ubatuba, no litoral paulista, onde mora “cada vez mais”, segundo sua definição.
Ele é casado com a modelo brasileira Alissa Salls (que se lançou como cantora com o nome Alissic, em 2020), e passa longas temporadas por aqui desde que encarou o isolamento da pandemia em terras brasileiras.
Depois da chegada do casal de gêmeos, em julho de 2025, o fog britânico ficou definitivamente em segundo plano.
— Aqui é um lugar mais tranquilo, ótimo para se criar os filhos — diz ele, de óculos de grau e cabelo descolorido e cortado rente, parecendo realmente relaxado.
— Eu me desconecto mais do trabalho aqui, sinto-me uma pessoa um pouco diferente.
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A relação com a praia também tem um papel nessa “terapia” brasileira.
— Eu gosto muito da água, sempre curti estar na praia — diz ele.
— Engraçado é que morei alguns anos na Austrália, quando criança, e, quando saí de lá, estava de saco cheio da praia.
Que absurdo!
Fundado em 2004 em Sheffield, na Inglaterra, o Bring Me The Horizon começou ainda mais pesado e agressivo do que é hoje, com discos como “Count your blessings”, de 2006, e “Suicide season”, de 2008.
Ao longo dos anos, o som foi ficando mais palatável, mas sempre com peso o suficiente para credenciar a banda ao tradicional dia do metal do Rock in Rio, 5 de setembro, que tem o americano Avenged Sevenfold como atração principal e nomes como MGK (o rapper-que-virou-roqueiro Machine Gun Kelly), Poppy e o brasileiro Sepultura, em seu último Rock in Rio antes da aposentadoria.
No Circo Voador em 2016
Coincidência ou não, com os anos de Oli no Brasil (sua primeira longa temporada foi durante a pandemia), o BMTH só faz crescer em popularidade por aqui.
Em sua primeira vinda ao Rio, em 2016, a banda se apresentou em um explosivo Circo Voador.
— Eu me lembro desse show, foi insano! — diz ele.
— Pessoas invadiram o nosso ônibus e ficaram lá escondidas, querendo apenas estar perto da banda.
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E que só fez crescer: depois de vir ao Lollapalooza em 2019, a banda se apresentou no Nubank Parque (à época, Allianz) em 2024, em um show que virou o filme “Bring Me The Horizon: L.I.V.E.
in São Paulo”, lançado nos cinemas e hoje disponível para aluguel nas plataformas de streaming.
— Realmente, eu não sei se a nossa popularidade no Brasil tem a ver com o fato de eu estar aqui — reflete ele.
— É claro que eu me conecto mais com as pessoas daqui, apareço em memes e piadas on-line, mas isso justifica o fato de o maior show de nossas vidas ter sido em São Paulo? Não sei.
É claro que não faltam elogios aos Brazilians.
— Eu adoro o temperamento e o humor de vocês — diz ele.
— Mas realmente, outro dia estávamos tocando aqui para 800 pessoas...
Não sei, mas claro que estamos muito felizes de tocar no Rock in Rio, a família da minha mulher diz que não há nada como esse festival.
Tanto amor no Brasil (a banda, aliás, tem um disco chamado “Amo”, de 2019) não significa que o BMTH seja um Sigue Sigue Sputnik ou Information Society: com 13,1 milhões de ouvintes mensais no Spotify (mais até do que o headliner de seu dia, o Avenged, que conta com 12,7 milhões), o quarteto inglês faz sucesso entre os fãs de som pesado, angustiado e um com um toque de ficção científica e distopia, como no disco “Post human: nex gen” (2024).
Uma de suas principais influências é facilmente audível no som (mesmo que ele carregue um pouco mais de maldade em si).
— O Linkin Park foi a primeira banda com a qual eu fiquei obcecado, lá pelos 12 anos — diz Oli.
— Antes, não ligava muito.
Quando ouvi aquela geração, Slipknot, Deftones, Limp Bizkit, foi que me virei para a música.
No Brasil, ele ainda não descobriu artistas de rock, mas ouve a música que está à sua volta.
— O funk me interessa muito — diz.
— E ouvi também aquela banda que morreu em um acidente de avião (os Mamonas Assassinas), eles eram muito bons.
Embora se diga fã de vários artistas do dia 5 de setembro, ele ainda não sabe se conseguirá vê-los.
— Os gêmeos é que mandam — lembra, despedindo-se com um sorriso.
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