Moraes veta 'saidinha' do Hacker de Araraquara de Tremembé
Ao contrário do informado inicialmente, Walter Delgatti Neto não chegou a deixar o presídio na “saidinha” desta terça-feira; o texto foi atualizado às 11h .
Condenado a 8 anos e 3 meses por invadir sistemas do Judiciário, Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker de Araraquara, se preparava para deixar a Penitenciária II Dr. José Augusto César Salgado, em Tremembé, na manhã desta terça-feira, após ter obtido a progressão ao regime semiaberto por decisão assinada em 9 de janeiro de 2026. Já com tornozeleira eletrônica na perna e posicionado na fila de saída, o detento foi impedido de deixar a unidade no último momento por uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A saída temporária, prevista para ocorrer entre os dias 17 e 23 de março, foi suspensa com base em parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) contrário ao benefício. O órgão apontou a ausência de comprovação da finalidade exigida pela Lei de Execução Penal, como a frequência em curso educacional, requisito considerado indispensável para a concessão.
Delgatti ficou conhecido nacionalmente após uma série de invasões a sistemas digitais que envolveram autoridades e instituições públicas. No episódio que resultou em sua condenação, a acusação sustenta que ele participou da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em janeiro de 2023, com o objetivo de fragilizar a credibilidade do Judiciário e alimentar questionamentos sobre o resultado das eleições presidenciais de 2022. A execução penal decorre de condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal, que fixou pena de oito anos e três meses de reclusão, além de multa e indenização por danos morais coletivos.
Dentro da prisão, a trajetória do hacker é marcada por discrição no aspecto disciplinar. Documentos da execução penal indicam conduta considerada exemplar, sem registro de faltas, o que contribuiu para a progressão de regime. Ele também nunca exerceu trabalho dentro da unidade.
Apesar disso, Delgatti ganhou entre presos e funcionários a fama de falastrão, mitômano e verborrágico. Costumava dizer que havia conhecido Neymar e que mantinha amizade com Robinho, condenado por estupro coletivo e que também passou pelo complexo de Tremembé. Chegou a sugerir ao ex-jogador a criação de uma casa de apostas, a “Tremembet”.
Com o tempo, outros detentos passaram a tratar suas histórias com desconfiança e concluíram que ele exagerava ou inventava episódios da própria trajetória.
Vaidoso e atento à própria imagem pública, também perguntava às professoras com quem tinha aula dentro da penitenciária se continuava aparecendo na imprensa e o que os jornais diziam a seu respeito.
A saída temporária desta semana prevê a liberação de milhares de presos do regime semiaberto no estado de São Paulo, com retorno aos presídios marcado para o dia 23 de março. Delgatti, no entanto, permanecerá em Tremembé após a decisão do Supremo.
Em nota, a defesa de Walter Delgatti Neto afirmou que a suspensão da saída temporária foi resultado de “erros burocráticos do Estado” e de uma “premissa fática equivocada” acolhida pelo Supremo Tribunal Federal com base em parecer da Procuradoria-Geral da República. Segundo o advogado Ariovaldo Moreira, houve falha de comunicação ao se exigir comprovação de matrícula em curso profissionalizante, já que, de acordo com ofício da própria Penitenciária de Tremembé, a saída não tinha finalidade de estudo, mas de visita à família, com base na Portaria Conjunta 02/2019 dos DEECRIMs. A defesa sustenta que o detento preenche todos os requisitos legais e tem conduta carcerária exemplar, classificando a decisão como injusta, e informou que protocolou pedido de reconsideração em caráter de urgência junto ao ministro Alexandre de Moraes.
