Moraes é o ministro do STF mais conhecido no país, aponta Datalha; veja quais têm melhor avaliação

 

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O Datafolha apontou que, de longe, Alexandre de Moraes é o integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) mais conhecido no país. Uma nova pesquisa do instituto mostrou que 89% da população diz conhecer o ministro, relator de inquéritos sobre desinformação e milícias digitais que geraram reação da direita, alvo preferencial da oposição e um dos magistrados citados no caso do banco Master.

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Em segundo lugar, vem a ministra Cármen Lúcia, conhecida por 68%, embora esteja na Corte há quase o dobro do tempo do colega, 2006 a 2017. Na sequência aparece o decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes, que tomou posse em 2022 e 62% afirmaram conhecer.

O levantamento mostra que a maioria da população pelo menos já ouviu falar de seis dos dez ministros do Supremo — composto por 11 magistrados, o STF no momento tem uma cadeira vazia, deixada pelo então ministro Luís Roberto Barroso; a sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula para o posto, será dia 29. Já na pergunta espontânea, em que não foram exibidas opções para os entrevistados, 49% lembraram o nome de ao menos um membro da Corte.

Os ministros menos conhecidos, segundo o instituto, são aqueles com menos tempo de STF: Kassio Nunes Marques (indicado por Jair Bolsonaro, posse em 2020, conhecido por 30%), Cristiano Zanin (indicado por Lula, posse em 2023, 37%) e André Mendonça (Bolsonaro, 2021, 42%). As perguntas integraram questionários do Datafolha pela primeira vez, logo não há série histórica comparativa.

A pesquisa também sondou a avaliação de cada ministro entre os entrevistados que afirmaram conhecer cada um. Para chegar ao índice, o instituto subtraiu a taxa de ruim/péssimo da taxa de ótimo/bom.

Apesar de ser um dos menos conhecidos, o novo relator do caso Master André Mendonça teve o melhor índice de avaliação: 26 pontos. Ele é classificado como ótimo ou bom por 39% dos que o conhecem, enquanto 13% o rotularam como ruim ou péssimo.

Relator anterior do caso, Dias Toffoli é conhecido por 54% da população, mas teve a pior avaliação. Ele foi considerado ruim ou péssimo por 35% dos que o conhecem e ótimo ou bom, por 19%. O cálculo do instituto estimou seu índice em -16. Veja os dados completos abaixo:

Datafolha

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026. O Datafolha ouviu 2.004 pessoas, de 7 a 9 de abril, em 137 municípios do país. A margem de erro para a amostra geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Já para a avaliação dos ministros a margem de erro varia: 2 p.p. - Moraes; 3 p.p. - Cármen, Gilmar, Fachin, Toffoli, Dino, Fux; 4 p.p. - Mendonça, Zanin, Nunes Marques.

75% veem STF com poder demais

A pesquisa ainda mostra que 75% dos brasileiros afirmam que os ministros do STF têm poder demais, enquanto 71% consideram a Corte essencial para a proteção da democracia. O levantamento foi divulgado em meio às investigações do caso do banco Master, que levaram magistrados da cúpula a uma crise inédita de confiança.

Segundo a sondagem, publicada na noite desta segunda-feira, apenas um quinto dos entrevistados discorda do excesso de poder dos ministros do STF e quase um quarto (24%) discorda do papel essencial do Supremo para a defesa democrática. Outros 3% não souberam responder, e 2% disseram não concordar nem discordar das duas afirmativas.

A pesquisa aponta ainda que 75% dizem que as pessoas acreditam menos no STF agora do que antes, e 20% discordam disso.

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O descrédito é maior entre os que votaram no segundo turno de 2022 em Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a mais de 27 anos de prisão pela participação na trama golpista: neste estrato, 88% disseram que os ministros têm poder demais. No entanto, mesmo entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quase dois terços veem excesso de poder na Corte (64%). (Nestes recortes da pesquisa, a margem de erro é de quatro e de três pontos, respectivamente.)

Os que votaram em Lula no segundo de 2022 tendem a defender em maior proporção o papel essencial do Supremo para a proteção da democracia: 84%. O percentual chega a 60% entre aqueles que declararam voto em Bolsonaro, apesar da ofensiva do bolsonarismo contra ministros da Corte desde o andamento do inquérito das fake news e das apurações sobre o 8 de janeiro.

Aqueles que afirmaram ter votado em branco, ter anulado o voto ou não ter escolhido nenhum candidato, 67% disseram que os ministros do STF têm poder demais, e 73% apontaram que a cúpula do Judiciário nacional é essencial para a democracia.