Moraes diz ter feito 'o que tinha que fazer' após transferir Bolsonaro para a Papudinha

 

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que fez “o que tinha que fazer” ao comentar a decisão que determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a chamada “Papudinha”, no Complexo da Papuda, em Brasília. A declaração foi feita nesta quinta-feira (15), durante a formatura de uma turma de Direito da Universidade de São Paulo (USP), poucas horas após a medida.

"A maioria não é do direito. Então, oito discursos pra vocês é um absurdo do absurdo. E vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos. Quase eu tive que tomar algumas medidas. Mas eu me contive hoje, né? Acho que hoje eu já fiz o que eu tinha que fazer", afirmou.

A fala foi aplaudida por parte do público presente na cerimônia e interpretada por outros como uma provocação, em meio à repercussão da decisão do ministro.

Bolsonaro na Papudinha

Bolsonaro passou a primeira noite na Papudinha depois de ser transferido da Superintendência da Polícia Federal, onde estava preso desde novembro. Antes disso, o ex-presidente cumpria pena em regime domiciliar, após ter sido preso em agosto.

Apesar dos sucessivos pedidos da defesa por prisão domiciliar humanitária, Moraes determinou a transferência do ex-presidente para uma sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. O ministro também deu prazo de dez dias para a realização de uma perícia médica oficial da Polícia Federal, que vai avaliar a necessidade de eventual transferência para o hospital penitenciário.

Na Papudinha, Bolsonaro está em um alojamento individual de cerca de 55 metros quadrados — cinco vezes maior que a sala ocupada anteriormente na PF. O espaço conta com quarto, sala, cozinha, lavanderia e área externa para banho de sol. Moraes autorizou adaptações como a instalação de aparelhos para fisioterapia e barras de proteção na cama.

A decisão também permite alimentação caseira, assistência religiosa semanal com visitas de pastores, atendimento médico permanente, acesso a médicos particulares e transferência imediata para hospital em caso de urgência. Por outro lado, mantém a proibição de smart TV com acesso à internet. Bolsonaro terá direito a 12 horas semanais de visitas, às quartas e quintas-feiras.

Na decisão, Moraes destacou que Bolsonaro já recebe tratamento diferenciado em relação à maioria dos presos no país e afirmou que as condições concedidas não transformam o cumprimento da pena em “estadia hoteleira ou colônia de férias”.

O ministro também rebateu reclamações feitas pela família do ex-presidente, como alegações de tortura em razão do barulho do ar-condicionado, e reforçou que a sala de Estado-Maior é um benefício excepcional, concedido em razão do cargo anteriormente ocupado.