Moradores repercutem anúncio do Airbnb sobre imóveis de habitação popular: 'Fiquei bastante feliz'

 

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A decisão do Airbnb de notificar anfitriões e retirar anúncios irregulares de imóveis de habitação popular em São Paulo já começa a repercutir entre moradores de prédios afetados pelo problema.

A medida foi adotada após a plataforma receber da Prefeitura uma lista de empreendimentos destinados à moradia de baixa renda, onde o aluguel de curta temporada é proibido. O material consiste numa planilha com dados de 3.874 empreendimentos residenciais licenciados na capital entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2026, com 507.200 unidades habitacionais

Vereadores, inclusive, afirmam que as informações prestadas têm uma série de inconsistências que podem inviabilizar a correção pelas plataformas.

O tema já vinha sendo alvo de queixas. Uma reportagem da CBN, produzida em março, mostrou relatos de moradores que afirmam viver em “hotéis informais” dentro de prédios construídos com subsídios públicos.

Agora, com a nova movimentação da plataforma, moradores dizem que vão observar se haverá impacto prático no dia a dia dos condomínios. Luci Goulart, do edifício Today Augusta, afirma que recebeu a notícia com expectativa de mudança:

'Eu fiquei bastante feliz com essa notícia. Acho muito boa pra gente, como cidadão. Eu tenho esperança de que isso possa nos ajudar aqui no prédio a viver uma vida de prédio residencial, porque até hoje o que a gente viveu foi uma vida de hotel. Som estranho circulando o tempo todo por aqui. Tem sempre muita movimentação. O cerco está se fechando contra essa prática ilegal'.

A professora de Direito na Faculdade Getúlio Vargas e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, Bianca Tavolari, disse que a iniciativa é um avanço, mas ainda insuficiente:

'A gente não pode depender de uma atitude da empresa para retirar as unidades de HIS. Essa fiscalização tinha que ser ativa da própria Prefeitura. Ainda que a gente esteja vendo aqui um avanço. Pela primeira vez, a gente está vendo uma norma específica sobre plataformas de short-stay serem implementadas em relação à habitação de interesse social. O que deveria ser feito? A primeira coisa: o monitoramento das unidades de habitação de interesse social ainda não está implementado'.

Desde maio de 2025, um decreto municipal proíbe que unidades de Habitação de Interesse Social sejam utilizadas para aluguel de curta temporada.

Uma outra moradora, que preferiu não se identificar, relatou que, no condomínio, a administração tem aplicado notificações e multas a moradores que abordam hóspedes em circulação. Na avaliação dela, a medida acaba atingindo os próprios residentes, enquanto as locações irregulares continuam. E torce para que a decisão acabe com o fluxo de hóspedes dentro do condomínio.

Em nota, o Airbnb afirma que vem atuando de forma contínua e colaborativa com a Câmara Municipal e com a Prefeitura de São Paulo, que iniciou a análise dos imóveis no dia 27 de abril.