Moradores fazem-abaixo assinado contra projeto imobiliário na área do antigo Colégio da Providência, em Laranjeiras
Um projeto imobiliário previsto para um terreno de cerca de 14,6 mil metros quadrados entre as ruas Pereira da Silva e Alfredo Modrach, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, tem mobilizado moradores da região. Um abaixo-assinado que circula no bairro aponta preocupações com possíveis impactos ambientais, urbanísticos e sobre o patrimônio histórico na área onde funcionou, por mais de 150 anos, o Colégio da Providência. Criado no dia 1º, o documento tem no momento cerca de 2.500 assinaturas.
Do jazz ao forró: Redescoberta, Praia da Glória vive efervescência cultural
Moradores denunciam: Ocupação irregular ameaça tranquilidade em rua bucólica no Joá
De acordo com o texto do abaixo-assinado, o terreno está inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) São José, e intervenções como corte de árvores poderiam afetar o microclima e a biodiversidade, além de aumentar o risco de deslizamentos. Os moradores também mencionam a presença da Capela Coração de Jesus, patrimônio histórico, e defendem a preservação do entorno.
Presidente da Associação de Moradores de Laranjeiras (Amal), Marcus Vinicius Seixas afirma que a entidade tem acompanhado as discussões ao lado de moradores e ressalta a preocupação com o adensamento da região.
— Nós estamos junto com os moradores na defesa da qualidade de vida da Rua Pereira da Silva. É uma área que já está densamente ocupada — diz.
Segundo um croqui do projeto que circula entre moradores nas redes sociais, a proposta prevê a demolição de parte das estruturas existentes, com preservação dos trechos tombados, como a capela e o prédio onde viviam religiosas ligadas à instituição. O material também indica a requalificação (retrofit) de parte da edificação e a construção de novos blocos no terreno.
O croqui do projeto imobiliário em Laranjeiras indica demolições de alguns trechos e preservação de outros com retrofit
Reprodução/Redes Sociais
— Muitas gerações passaram por ali. Eu mesmo estudei no colégio, conheci minha esposa e me casei na capela. Existe um valor afetivo importante para o bairro — afirma o presidente da Amal.
O Colégio da Providência encerrou suas atividades há alguns anos. O espaço pertencia à ordem das Irmãs de São Vicente de Paulo.
Construtora defende projeto
Em contraponto, o presidente da construtora responsável pelo projeto, Carlos Eduardo Valente, afirma que o empreendimento segue a legislação e nega impactos ambientais.
— É um dos projetos mais bonitos que o Rio vai receber. É um bem que está abandonado e degradado há dois anos, já tivemos invasões e estamos trabalhando para transformar em uma obra de arte, valorizando o bairro — diz.
Segundo ele, o projeto prevê um retrofit da estrutura existente e a restauração da capela, respeitando as normas de preservação. O empresário acrescenta que o projeto está em fase de aprovação junto aos órgãos competentes e que detalhes da restauração serão discutidos com instâncias de patrimônio.
— Estamos rigorosamente respeitando toda a legalidade. Não há desmatamento. Vamos devolver a capela de forma digna, separada do projeto residencial. Essas críticas mostram um total desconhecimento do projeto — conclui.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) informa que há solicitação de licenciamento em análise para o endereço. Segundo o órgão, não há, até o momento, licença urbanística ou ambiental, nem autorização para remoção de vegetação.
Procurados, o o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) e a Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro não responderam até a última atualização desta reportagem.
Initial plugin text
