Moradores e comerciantes de Pinheiros dizem que foram pegos de surpresa com avisos de desapropriação

 

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Moradores e comerciantes das ruas Cardeal Arcoverde, Mateus Grou e Doutor Virgílio de Carvalho Pinto organizam um abaixo-assinado contra a desapropriação de imóveis na região, após receberem notificações do Metrô de São Paulo para a construção da futura Linha 20-Rosa.

A mobilização começou depois que proprietários e inquilinos receberam, na semana passada, cartas informando que a área foi declarada de utilidade pública para fins de desapropriação.

No manifesto, a comunidade afirma ter recebido as notificações com surpresa e indignação e informa que encaminhou um pedido de transparência e acesso à informação à Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, à Companhia do Metropolitano de São Paulo e ao governo do estado.

A área a ser desapropriada soma mais de três milhões de metros quadrados, concentrados principalmente na esquina da Rua Mateus Grou com a Cardeal Arcoverde, além de trechos da Rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto.

Também será afetada uma esquina que reúne casas construídas nos anos 1960, sobrados hoje ocupados por lojas de moda autoral e grifes independentes.

Leonardo Darezzo, comerciante da Cardeal Arcoverde, conta que herdou o ponto do avô e diz que recebeu a notificação com surpresa. Ele diz que procurou o Metrô para pedir explicações:

“Responderam somente para enviar os documentos e que em até um ano começa essa desapropriação - cinco meses para passar um técnico e mais cinco meses para eles darem o valor. Não aceitando, eles entram com a ação judicial e a gente é obrigado a sair da casa.”

Na mesma rua, o proprietário de uma oficina de carros antigos, Alexandre Sagaroca, defende a permanência dos estabelecimentos no local:

“Complicado, porque na minha área você não pode mais você ter uma oficina nessa parte. Quem já está estabelecido aqui, fica. Quem não está, não abre mais oficina nessa região.”

A região também reúne casas antigas e famílias que vivem ali há mais de 70 anos. Uma das moradoras é Julieta Pereira, de 92 anos. A aposentada afirma que não quer deixar a residência:

“Estou revoltada e triste. Entendo que é importante porque já precisei do Metrô. Mas eu digo: ‘por que eu?’ Meus vizinhos estão desesperados, que têm comércio há 500 anos. Não tem necessidade de derrubar tudo isso. A estação Fradique é a dois quarteirões daqui.”

Moradores também questionam a necessidade de uma nova estação no ponto, já que a área fica próxima da estação Fradique Coutinho, da Linha 4-Amarela, além de outra parada prevista da Linha 20-Rosa, a estação Girassol.

Em 27 de novembro do ano passado, o governo do estado declarou de utilidade pública diversas áreas da cidade para fins de desapropriação, ocupação temporária ou instituição de servidão, necessárias à construção da Linha 20-Rosa.

A resolução inclui sete bairros: Pinheiros, Barra Funda, Lapa, Itaim Bibi, Saúde, Cursino e Sacomã.

O projeto básico da Linha 20-Rosa está previsto para ser concluído em julho. Após essa fase, o empreendimento ainda passa por novas etapas antes do início das obras.