Moradores do norte de Israel vivem momentos de tensão após o contra-ataque do Irã, relata professor

 

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Moradores do norte de Israel vivem momentos de tensão após o contra-ataque do Irã aos bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel. O relato é de João Miragaia, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil-Israel, em entrevista ao Jornal da CBN.

Segundo ele, a população foi alertada ainda durante a madrugada e precisou buscar abrigo diante da sequência de disparos.

"A gente acordou agora em Israel com esses ataques, na verdade, a gente acordou com um alarme preventivo do Ministério da Defesa anunciando que Israel havia atacado o Irã e portanto que a população deveria ficar de alerta para possíveis ataques, que não demoraram muito para acontecer. A gente ficou uma hora e meia debaixo de chuva de mísseis, vamos dizer assim, que atingiram um lugar, a maioria foi interceptada, no norte de Israel. As orientações são as mesmas no país inteiro, que são ficar próximos a um lugar protegido, um abrigo."

De acordo com Miragaia, escolas e atividades não essenciais foram suspensas, hospitais transferiram pacientes para áreas protegidas e a orientação oficial é permanecer próximo a abrigos devido ao risco de novos ataques.

O especialista afirma que ainda é cedo para medir o apoio popular à ofensiva, mas destaca que conflitos costumam gerar união política interna no país. Ele avalia também que a queda do regime iraniano é incerta apenas com bombardeios aéreos.

"A única expectativa que há com relação à queda do regime é se a própria população iraniana aproveitar esse momento de suposta debilidade do regime e se manifestar e cobrar e exigir a sua queda, e nesse momento não há manifestações nas ruas, justamente porque o país está sendo bombardeado. Então, nesse momento, é muito difícil fazer qualquer avaliação sobre a queda ou a permanência do regime, mesmo que Israel e os Estados Unidos consigam executar os seus principais líderes, porque sem uma invasão do território é muito pouco provável que o regime seja deposto."

Para ele, os próximos dias serão decisivos para entender se o conflito pode se ampliar e quais serão os efeitos políticos e militares na região.

Saiba mais sobre o ataque:

Israel e Estados Unidos fizeram um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado no horário local. Os americanos confirmaram que a ofensiva está em andamento.

As explosões foram ouvidas no centro de Teerã, capital iraniana, próximo aos escritórios do líder supremo, Ali Khamenei. Conforme a agência de notícias Reuters, ele foi transferido para um local seguro. Um aereporto da cidade também foi atingido. O ministro da defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a ação ocorre para "eliminar ameaças".

As Forças Armadas de Israel disseram que acionaram sirenes de alerta aéreo em diversas regiões do país “para preparar a população para a possibilidade de lançamento de mísseis contra Israel”. O governo israelense também anunciou a suspensão das aulas e do deslocamento das pessoas ao trabalho.

O ataque ocorre num momento em que os Estados Unidos reuniram uma frota de caças e navios de guerra na região para tentar pressionar o Irã a chegar a um acordo sobre seu programa nuclear. A autoridade aeroportuária de Israel informou que fechou o espaço aéreo a voos civis.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os ataques do país contra o Irã. Em um vídeo de oito minutos publicado em sua rede social, a Truth Social, o republicano afirmou que o objetivo do enclave é defender o povo americano de ameaças do governo iraniano.