Moradores do Brooklin reclamam de casa de shows ao lado de hospital

 

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O Hospital Premier, especializado em cuidados paliativos e reabilitação pós-cirúrgica no Brooklin, Zona Sul de São Paulo, virou vizinho de parede da estrutura móvel que está sendo montada pela Varanda Estaiada. A casa de shows é erguida em um quarteirão cercado pelas avenidas Chucri Zaidan e Jurubatuba.

A estrutura está sendo instalada a poucos metros de um dos portões de serviço da unidade hospitalar, por onde entram diariamente alimentos, medicamentos e insumos médicos.

A movimentação intensa de estruturas metálicas e materiais usados na montagem do palco ocorre pela Rua Roque Petrella, justamente a rua de acesso a um do portões do hospital. Um vídeo mostra barro e sujeira acumulados no entorno.

A unidade funciona 24 horas por dia. São 95 leitos, com cerca de 150 pessoas circulando diariamente pelo espaço. Por se tratar de um hospital de transição, e não de porta aberta, o silêncio e o controle ambiental são considerados fundamentais para o tratamento.

A direção do Hospital Premier informou que acompanha o caso e que a área jurídica já protocolou pedidos junto aos órgãos competentes. A administração preferiu não gravar entrevista.

A preocupação se estende aos moradores da Rua Roque Petrella. Ivone Lima, que vive no endereço há mais de 50 anos e mora a menos de 200 metros do portão usado pelas obras, afirma que o bairro vai mudar com a chegada da casa de shows.

“A gente acha um absurdo, grudado num hospital. Pensa: bagunça, bebuns. Vai ter barulho, bagunça. E vai até que horas? Vai mexer com tudo aqui no bairro.”

A advogada Glaucia de Lima Jorge mora na Jurubatuba há mais de 50 anos e cobrou providências:

“O motivo é o barulho excessivo. Porque eles não têm tratamento acústico de enclausuramento. O barulho pode aceder até a 90 decibéis. Prejudicam todo o bairro e o hospital, mais ainda. Já tem o barro todo que eles deixaram. Eles falam que limpam, mas não limpam.”

A Varanda Estaiada funcionava anteriormente do outro lado da Ponte Estaiada, na Avenida Magalhães de Castro, e agora está sendo transferida para a Avenida Chucri Zaidan. Para o novo endereço, já estão previstos três eventos em fevereiro, com capacidade divulgada para cerca de duas mil pessoas.

Documentos aos quais moradores tiveram acesso por meio da Polícia Militar indicam que um dos eventos está autorizado a ocorrer do meio-dia até as 2h da manhã — informação que reforça o temor de ruído excessivo, aumento do fluxo de veículos e impactos diretos sobre a área residencial e hospitalar.

A reação da comunidade ganhou força nas redes. Um abaixo-assinado on-line já reúne quase mil assinaturas contra a instalação do empreendimento no local e pede intervenção imediata do poder público até que a regularidade da obra e do funcionamento seja esclarecida.

A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento informou à CBN que emitiu um Alvará de Autorização para a realização dos eventos pelos próximos seis meses.

Segundo a Prefeitura, os organizadores apresentaram documentação técnica e de segurança, além de declaração de conformidade com os limites de emissão de ruído estabelecidos para a área.

A gestão municipal disse ainda que fez uma vistoria nas obras nesta terça-feira e não identificou irregularidades.

Recentemente, a Prefeitura recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar uma decisão de segunda instância que considerou inconstitucional a flexibilização das regras sonoras para shows autorizados pelo poder público.

A CBN procurou os responsáveis pelo Varanda Estaiada e não recebeu retorno.