Moradores da área rural são detidos na Venezuela por 'comemorar' queda de Maduro após captura dos EUA

 

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Em regime de exceção desde a captura e queda do chavista Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, a Venezuela registrou na segunda-feira a prisão de dois cidadãos que teriam comemorado a ação dos EUA, noticiou a ONG Foro Penal, defensora de presos políticos. Os detidos seriam irmãos de 64 e 65 anos, camponeses da localidade de Río Negro, no estado de Mérida, na região Oeste do país.

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— Estamos esperando para ver se serão apresentados nos tribunais — disse à AFP Gonzalo Himiob, advogado da ONG Foro Penal, que representará essas pessoas, detalhando: — São agricultores muito humildes. Estavam em estado de embriaguez e foram para a frente de sua casa comemorar que haviam capturado Maduro.

O casal Maduro é réu na Justiça federal dos Estados Unidos em Nova York por tráfico de drogas, entre outras acusações.

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— Deram tiros para o alto com as armas que normalmente são mantidas em fazendas e propriedades rurais, fazendo piadas com seus vizinhos que são pró-governo, e que depois os denunciaram às autoridades — assinalou Himiob.

Estas são as primeiras detenções sob esta acusação no mandato de Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência de forma interina e está sob a pressão de Donald Trump. Ao todo, ONG Foro Penal contabiliza 806 presos por razões políticas na Venezuela, entre os quais há 175 militares.

Na Venezuela, não foram registradas manifestações nem declarações públicas de apoio à incursão militar dos Estados Unidos. O temor reina depois que protestos espontâneos contra a contestada reeleição de Maduro em 2024 terminaram com a repressão das autoridades e a prisão de mais de duas mil pessoas em 48 horas.

Desde o ataque, os apoiadores do governo têm tomado as ruas diariamente — em Caracas, na terça-feira, ecoavam gritos de “Maduro, amigo, o povo está contigo” — enquanto a oposição, que há poucos anos lotava avenidas e rodovias, permanece silenciosa, impactada pelo clima de medo instaurado após milhares de detenções ligadas aos protestos contra a contestada reeleição de 2024 e agora agravado pelo estado de exceção.