Moradora da Flórida se torna a sobrevivente mais velha do Holocausto depois de checagem de documentos
Natural da Lituânia, sobrevivente do Holocausto e aniversariante do dia, Molly Horwitz é história viva na Flórida. Com sete netos e um bisneto, a supercentenária completaria 110 anos nesta segunda-feira (16/3), mas uma conferência recente de seus documentos pode indicar que ela estaria, na verdade, completando 113 anos, tornando-a a sobrevivente viva mais velha do Holocausto.
Molly nasceu sob a alcunha de Malka Godur, na região de Vilkomir, então pertencente ao Império Russo. Hoje o local é conhecido como Ukmergė, cidade situada na Lituânia.
Celebração do aniversário de 107 anos de Molly com o ex-prefeito de Miami Beach, Dan Gelber
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Em 1935, ela se casou com o primeiro marido e, em 1938, teve o primeiro filho. Com 25 anos, a vida virou de ponta-cabeça. Ela se tornou vítima do regime nazista de Adolf Hitler e foi presa num gueto, assim como milhões de judeus que também foram torturados e mortos no Holocausto.
O marido não sobreviveu ao massacre. O filho, separado da mãe antes da prisão por segurança, sobreviveu e, depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a encontrou em Cuba, onde passaram a morar em 1947.
Com a Revolução Cubana e as retaliações econômicas impostas no início da década de 1960, Malka decidiu recomeçar a vida fora da ilha, agora nos EUA. Em 1962, ela se mudou para o país, casou-se mais duas vezes, adotou o nome de Molly e o sobrenome Horwitz do terceiro marido, que não está mais vivo.
Molly foi homenageada em Miami no Dia Internacional da Mulher deste ano
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Em janeiro deste ano, o Grupo de Pesquisa em Gerontologia (GRG, sigla em inglês) realizou um processo de checagem nos documentos de Molly e descobriu que a supercentenária — termo concedido a pessoas que atingem os 110 anos — já poderia ter recebido esse título há 3 anos.
Depois das análises, o instituto acredita que o ano de 1913 tem muito mais chances de “estar correto” e corresponder ao ano real de nascimento de Molly do que o ano de 1916. Hoje, Molly é considerada a sobrevivente viva mais velha do Holocausto e a 24ª mulher mais velha do mundo.
O posto mais alto é da britânica Ethel Caterham, de 166 anos, que se tornou a mulher mais velha do mundo no ano passado, depois da morte da brasileira Inah Canabarro Lucas, em 30 de abril.
Ainda segundo o ranking do GRG, o brasileiro João Marinho Neto, natural de Maranguape, no Ceará, é o homem mais velho do mundo ainda vivo, também com 113 anos.
(*) Estagiário sob supervisão de Fernando Moreira
