A Montezum, montanha-russa de madeira do Hopi Hari, em Vinhedo, São Paulo, é alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) após a jovem Júlia Bossoni, de 21 anos, sofrer um traumatismo cranioencefálico depois de andar na atração. Ela ficou 57 dias internada após apresentar convulsões e ser diagnosticada com hemorragia intracraniana e edema cerebral. Segundo a família, Júlia perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, passou a ter dificuldades para falar e apresentou alterações de memória. A investigação inclui uma perícia na montanha-russa solicitada pelo MPSP. Segundo informações do g1, o Hopi Hari afirma que prestou atendimento à jovem, acompanhou a internação e que a Montezum passa por inspeções e possui certificação internacional de segurança. O que é a Montezum Inaugurada em 1999, junto com a abertura do Hopi Hari, a Montezum tem 42,4 metros de altura e 1.030 metros de extensão. O percurso dura 58 segundos e o trem chega a 103 km/h. A atração foi construída em 18 meses e, segundo informações publicadas pelo próprio parque, sua construção envolveu 1,5 mil funcionários, 235 blocos de concreto, 690 toneladas de madeira e equipamentos, cinco milhões de parafusos e mais de mil tubulações subterrâneas. O nome é inspirado no imperador asteca Moctezuma II, conhecido popularmente como Montezuma. A estrutura de madeira também explica parte do movimento percebido pelos passageiros. O próprio Hopi Hari afirma que a oscilação é esperada nesse tipo de equipamento: "Por ter seus trilhos feitos de madeira, é normal que o trem balance um pouco durante o percurso, totalmente comum em todas as Montanhas Russas desse mesmo tipo". Segundo dados divulgados pelo parque em 2022, a Montezum recebia, em média, 600 visitantes por hora de funcionamento, chegando a aproximadamente 5 mil pessoas por dia. Em 2021, a atração recebeu uma certificação internacional de segurança emitida pelo grupo europeu TÜV NORD. Originalmente, a montanha-russa funcionava com cinco vagões acoplados, com capacidade para até 30 pessoas por trem. Os vagões foram retirados posteriormente. Atualmente, a atração opera com dois trens, que juntos comportam até 48 pessoas. O caso de Júlia Bossoni Júlia passou mal em abril de 2026, depois de andar na Montezum. Quando retornou à plataforma, estava desacordada e sofreu convulsões. Ela foi levada para a Santa Casa de Vinhedo, onde recebeu o diagnóstico de hemorragia intracraniana e edema cerebral e precisou passar por cirurgia. A internação durou 57 dias. Júlia Rimoli Bossoni Reprodução Um laudo médico apontou traumatismo cranioencefálico associado a um mecanismo de contragolpe durante o passeio. De acordo com a família, depois do episódio Júlia perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, passou a ter dificuldades para falar e apresentou alterações de memória. O Hopi Hari afirma que Júlia, visitante do Paraná, entrou na Montezum duas vezes no mesmo dia. Segundo o parque, a primeira passagem ocorreu às 11h e a segunda, aproximadamente cinco horas depois, por volta das 16h30. O episódio aconteceu durante a segunda passagem. De acordo com a empresa, Júlia apresentou uma convulsão durante o segundo passeio e recebeu atendimento imediato das equipes, com os primeiros socorros realizados no ambulatório. Depois, foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde permaneceu internada até ter condições de voltar à cidade onde mora.
O parque diz que acompanhou o tratamento, manteve contato com os familiares e custeou as despesas da família durante a permanência em Vinhedo. O departamento jurídico, segundo a empresa, também manteve contato com os familiares e continua à disposição. O Hopi Hari acrescenta que disponibilizou um seguro à família. Mãe diz que assistência foi interrompida Em entrevista à EPTV, Danielle Rimolli, mãe de Júlia, afirmou em 21 de setembro que o parque deixou de prestar assistência depois que a filha recebeu alta. Segundo ela, o apoio financeiro do Hopi Hari teria se limitado aos 57 dias iniciais de internação. — Eles acionaram o seguro exclusivamente para pagar nossa hospedagem e alimentação por dois meses em Vinhedo. Para a Júlia, não foi feito absolutamente nada. Eles sumiram e não deram mais um centavo — afirma Danielle. Danielle também afirmou que representantes do parque haviam prometido uma ajuda financeira semanal para despesas como fraldas, medicamentos e cadeira de rodas, mas que deixaram de responder à advogada da família. Segundo ela, o único pagamento feito depois da alta, já no Paraná, foi de R$ 7 mil, destinado ao transporte de ambulância. Para conseguir atendimento com uma equipe de neurocirurgiões especializados que não atendem pelo plano de saúde, a família desembolsou R$ 70 mil. O valor foi obtido por meio de uma vaquinha. O que diz o Hopi Hari Em nota, o parque afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo Grupo TÜV NORD e que atrações radicais como ela passam por inspeções anuais. As atrações consideradas de menor complexidade, segundo a empresa, são inspecionadas a cada dois anos. O Hopi Hari também diz manter protocolos de segurança, treinamento de funcionários e procedimentos de atenção aos visitantes, além de seguir a norma ABNT NBR 15926-2023, Equipamentos de Parques de Diversão. O parque afirma ainda que existem placas com informações sobre funcionamento, recomendações e restrições antes do acesso à atração. Na fila, um sistema de áudio reforçaria essas orientações e, no momento do embarque, os operadores repetiriam as recomendações por meio de sistema de som. Segundo o Hopi Hari, os procedimentos seguem normas internacionais de segurança. Entre janeiro de 2026 e o momento da reportagem, mais de 870 mil pessoas haviam visitado o Hopi Hari, segundo a nota do parque. Aproximadamente 470 mil passaram pela Montezum, descrita pela empresa como a atração mais visitada do complexo. O Hopi Hari também afirma que o Ministério Público emitiu recentemente um parecer no qual não identificou risco coletivo, defeito no projeto da montanha-russa ou negligência. O parque reproduziu um trecho segundo o qual foi analisada “a regularidade do funcionamento da atração "Montezum" sob a ótica da tutela coletiva e difusa da segurança e saúde dos consumidores". Em outro trecho atribuído ao parecer, consta que “o estabelecimento prestador do serviço adota protocolos rigorosos de prevenção, manutenção e segurança operacional”. A nota também reproduz uma descrição de inspeções técnicas diárias que incluem a estrutura de madeira, trilhos, fixações, travas de segurança, cintos, sensores fotoelétricos, painéis elétricos e sistemas de frenagem, sob supervisão de equipe de engenharia e com certificações técnicas.
O Globo