Montadoras pedem ao Congresso dos EUA banimento definitivo de carros da China

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Fonte da notícia: Correio Braziliense Correio Braziliense

Às vésperas de uma possível mudança na composição do Congresso dos Estados Unidos, as principais montadoras instaladas no país intensificaram a pressão pela aprovação de uma lei que impeça permanentemente a entrada de veículos chineses no mercado norte-americano. A iniciativa é defendida pela Alliance for Automotive Innovation, associação que representa fabricantes como General Motors, Volkswagen e Toyota e que pretende garantir a votação da proposta antes do encerramento dos trabalhos legislativos de 2026.Segundo informações divulgadas pela TV Globo, o pedido foi encaminhado aos parlamentares na segunda-feira (2/11), em meio à expectativa pela retomada das atividades do Congresso, prevista para a próxima semana, após as eleições de meio de mandato.

A entidade considera que o período restante até dezembro será decisivo para transformar em legislação permanente as restrições já aplicadas às fabricantes chinesas.O presidente da associação, John Bozzella, argumenta que a presença dessas empresas representa riscos à segurança nacional e pode comprometer os investimentos realizados por fabricantes que mantêm operações nos Estados Unidos.

Entre as preocupações apresentadas está a possibilidade de que tecnologias embarcadas nos automóveis sejam utilizadas para coletar informações dos usuários.Leia também: As montadoras de carro mais populares no BrasilEm defesa de uma legislação mais rigorosa, Bozzella afirmou que o país precisa impedir a entrada de veículos que, segundo ele, oferecem vantagens competitivas indevidas e riscos à privacidade.“Precisamos proteger o mercado dos Estados Unidos de uma enxurrada de importações chinesas que trazem risco de vigilância e colocam em desvantagem os fabricantes atuais que fizeram investimentos de longo alcance nas comunidades americanas”, declarou.A entidade também sustenta que as condições de concorrência precisam ser consideradas na formulação das políticas comerciais.

Em entrevista à emissora francesa France 24, Bozzella defendeu regras que permitam às fabricantes ocidentais disputar espaço com empresas estrangeiras em condições equivalentes.“O essencial é garantir que as políticas, as regras tarifárias e as estratégias industriais favoreçam uma concorrência justa.

[...] Se for esse o caso, acho que as montadoras ocidentais podem competir com qualquer uma.”ICYMI… President and CEO John Bozzella on Chinese #automotive competition in #Europe → “What’s key is making sure policies, tariff rules and industrial strategies support fair competition.

… If that’s the case, I think western automakers can compete with anyone.” Watch more on @France24_en ????— Alliance for Automotive Innovation (@autosinnovate) November 3, 2026Restrições existentes e divergência com TrumpEmbora ainda não exista uma proibição permanente estabelecida pelo Congresso, os Estados Unidos já adotam medidas que, na prática, impedem fabricantes chinesas de comercializar ou produzir automóveis de passeio no país.As restrições foram estabelecidas no início de 2025, durante o governo de Joe Biden, sob a justificativa de que os sistemas tecnológicos presentes nesses veículos poderiam permitir o envio de dados sensíveis de motoristas ao território chinês.A legislação pretendida pelas montadoras busca consolidar essas barreiras, dificultando sua eventual revisão por futuras administrações.

Além das limitações relacionadas à segurança, os Estados Unidos mantêm tarifas superiores a 100% sobre veículos elétricos importados da China, medida que também restringe a competitividade desses produtos no mercado norte-americano.Leia também: BYD e GWM: como as montadoras chinesas estão dominando o mercadoA pressão pela aprovação da proposta ocorre, entretanto, em um momento de incerteza sobre a posição da Casa Branca.

Em setembro, o presidente Donald Trump afirmou, durante entrevista à Fox News, que aceitaria a instalação de fábricas de automóveis chineses em território norte-americano.A declaração provocou preocupação entre representantes da indústria, uma vez que a possibilidade de produzir veículos chineses nos Estados Unidos contrasta com o objetivo da associação de estabelecer uma proibição definitiva.Congresso tem prazo limitado para concluir votaçãoA proposta já conquistou apoio de parlamentares dos dois principais partidos norte-americanos, mas ainda depende de novas etapas de tramitação para se tornar lei.Em julho, o texto recebeu aprovação de uma comissão do Senado.

Na Câmara dos Representantes, uma versão da iniciativa conta com mais de 100 congressistas como coautores, demonstrando a adesão de diferentes setores políticos à tentativa de restringir a atuação das montadoras chinesas.Apesar desse respaldo, os senadores responsáveis pelo projeto concordaram, em setembro, em adiar para novembro a tentativa de acelerar sua análise.

Com isso, a votação passou a depender de um calendário mais apertado, marcado pelas eleições legislativas e pelo encerramento da atual sessão do Congresso, em dezembro.Leia também: A realidade da manutenção de carros elétricos no Brasil: o custo real da troca de bateria e como a autonomia varia no trânsito diário das cidadesRepresentantes da indústria e assessores parlamentares ainda consideram possível concluir o processo neste ano.

Há, porém, receio de que uma eventual conquista do controle do Legislativo pelos democratas reduza o tempo disponível para aprovar a proposta antes da mudança na composição do Congresso.Avanço chinês na Europa reforça pressãoPara sustentar a urgência do projeto, a associação aponta a expansão das montadoras chinesas no mercado europeu como exemplo do que pretende evitar nos Estados Unidos.De acordo com os números apresentados por Bozzella, a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos produzidos na China entre janeiro e agosto de 2026.

O volume registrado apenas nos oito primeiros meses do ano já supera todas as importações realizadas ao longo de 2025.Na avaliação do dirigente, o crescimento demonstra a capacidade das fabricantes chinesas de conquistar rapidamente participação em mercados estrangeiros, o que poderia representar uma ameaça à indústria norte-americana caso as restrições fossem flexibilizadas.Bozzella também relacionou a disputa comercial à preservação da capacidade industrial dos Estados Unidos, defendendo que o Congresso impeça a reprodução do cenário observado na Europa.“Dado o evidente risco à segurança nacional e o padrão de comportamento desleal da China, o Congresso deve proteger nossa base de defesa e de manufatura avançada e impedir que as montadoras chinesas façam aqui o que conseguiram fazer impunemente na Europa”, afirmou.O governo chinês, por sua vez, rejeita as restrições comerciais defendidas pelos Estados Unidos e contesta as acusações de que suas empresas representam uma ameaça à concorrência.Em manifestações anteriores, o Ministério das Relações Exteriores da China pediu que Washington passe “a respeitar as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência justa”.Pequim também classificou propostas norte-americanas direcionadas contra companhias chinesas como “repressão injustificada”.Confira lista de todas as fábricas que participam da aliançaAston Martin;BMW;Bugatti;Ferrari;Ford;GM;Honda;Hyundai;Isuzu;Jaguar / Land Rover;Kia;Mazda;Mclaren;Mercedes-Benz;Mitsubishi;Nissan;Porsche;Stellantis;Subaru;Toyota;Grupo Volkswagen (Audi, Lamborghini, Bentley);Volvo.

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