Monique passa primeira noite em casa acompanhada de gato que trouxe do presídio

 

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Acusada de homicídio por omissão na morte do filho, Henry Borel, a professora Monique Medeiros teve a prisão revoagada pela Justiça e passou a primeira noite em casa, nesta segunda-feira. A juíza juíza Elizabeth Louro, do 2° Tribunal do Júri, aceitou o pedido da defesa de relaxamento de prisão porque, com o adiamento do julgamento da ré e do ex-vereador Jairinho, acusado do assasinato do menino Hnery, poderia incorrer em excesso de prazo. Ao sair da penitenciária Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, ela levou alguém com quem dividiu o cárcere. Em uma caixa de transporte, ela trouxe o gato Hércules.

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O felino, que tem mais de 3 anos, segundo Monique, ficava na cela e costumava dormir na mesma cama que ela. O bichano vivia em um pavilhão do Complexo de Gericinó e era cuidado por uma policial penal. Mas, há dois anos e sete meses, quando Monique chegou ao Talavera Bruce, ele teria se aproximado da então interna.

Gato Hércules veio do presídio junto com Monique

Reprodução

—Ele foi meu companheiro de cárcere. Não ficava com mais ninguém e foi ele quem me escolheu. Ele que me adotou, que me ofereceu apoio emocional em todos os meus momentos mais difíceis. Hoje ele tem um lar —disse Monique.

Monique saiu do Talavera Bruce às 18h16. Além de uma equipe de seis advogados, o irmão e uma prima também aguardavam sua saída. O irmão de Monique vestia um camisa com os dizeres “sou testemunha” e uma foto de Henry com a mãe. Na porta do presídio, os advogados perguntaram à diretora da unidade se a acusada poderia levar um gato que adotou no presídio, conforme pedido por Monique. O que foi autorizado.

Monique Medeiros deixa presídio no Complexo de Gericinó

Domingos Peixoto/Agência O Globo

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Na primeiro dia fora da prisão, Monique evitou sair e ficou na companhia de familiares. Segundo sua defesa, ela passou o maior tempo lendo. Nesta terça-feira, o promotor Fábio Vieira, do 2º Tribuna do Júri, informou ter entrado com um recurso contra a decisão que relaxou a prisão de Monique. O pedido deverá ser analisado em segunda instância por uma câmara criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele disse anda que quando ocorreu o novo julgamento, previsto em maio, pedirá a condenação de Jairinho e de Monique.

—Entendo que a defesa da Monique poderia ter feito o júri nesta segunda-feira, separado do Jairinho, já que a defesa dele abandonou o plenário. Eventuais provas que aparecerem só agregarão mais. No julgamento vamos pedir a condenação dos dois — disse o promotor.

Um dos responsáveis pela defesa de Monique, o advogado Hugo Novais disse que a estratégia que defesa vai adotar é a de falar apenas a verdade.

—A estratégia é falar a verdade. De dizer como as coisas aconteceram — disse.

A decisão que adiou o julgamento pela morte de Henry Borel, crime que chocou o Brasil, provocou reações de comemoração entre os réus e seus familiares no plenário do Tribunal de Justiça do Rio, nesta segunda. Ao ouvir a leitura da juíza Elizabeth Louro determinando o relaxamento de sua prisão, Monique chorou, abraçou seus advogados, fez o sinal da cruz e levantou as mãos para o céu. A juíza entendeu que manter a prisão configuraria “constrangimento ilegal”, já que o adiamento ocorreu por uma situação à qual Monique não deu causa.

Na plateia, parentes da acusada usavam camisas com a inscrição “Monique é inocente”. Houve gritos e choro após a decisão. Na saída do tribunal, os familiares não quiseram dar entrevistas. Em contraste com as reações de comemoração dos réus, Leniel Borel, pai do menino, caiu em prantos, inconformado com o adiamento.

Já o ex-vereador Dr. Jairinho, que teve a prisão mantida, abraçou uma de suas advogadas após o anúncio do adiamento — medida defendida por sua equipe desde o início da sessão. Nos dias que antecederam o julgamento, a defesa do padrasto de Henry chegou a apresentar recursos para tentar adiar o júri ou transferi-lo da comarca do Rio.

A sessão desta segunda-feira foi interrompida depois que os advogados de Jairinho anunciaram que deixariam o plenário, o que levou a juíza a adiar o julgamento.

Em nota, o advogado Rodrigo Faucz, um dos responsáveis pela defesa de Jairinho, disse que até o ocorrer novo julgamento, espera ter acesso a todos documentos e provas do processo. Abaixo, a íntegra do texto enviado.

"A defesa espera, finalmente, ter acesso a todas as informações constantes nos autos, pois o juízo terá tempo suficiente para disponibilizar as provas do processo em sua integralidade, principalmente o conteúdo do notebook de Leniel Borel. Ressalta-se que o acesso ao conteúdo do celular de Leniel revelou um verdadeiro conluio entre a assistência e peritos do IML do Rio de Janeiro, que confeccionaram os laudos complementares de necropsia do caso, o que reforça a necessidade de desvelar as informações contidas no notebook."

Já o advogado Cristiano Medina da Rocha, que defende os interesses de Leniel Borel, disse que a questão alegada pela defesa de Jairinho já foi arguida e enfrentada pelo judiciário anteriormente. O advogado alegou que também ingressou com um pedido, em segunda instância, pelo restabelecimento da prisão de Monique. Medina informou ainda ter feito a mesma solicitação no Supremo Tribunal Federal.

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