Mixue, rede de chás e sorvetes, abre unidade no Brasil e terá primeira fábrica fora da China

 

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Nem só carros tecnológicos os chineses estão trazendo ao Brasil. Será aberta em São Paulo a primeira unidade da Mixue, maior rede global do segmento de sorvetes e chás gelados do mundo. Com 47 mil lojas espalhadas em doze países, especialmente na China, a Mixue diz ter mais pontos que o Mc Dolnald's (40 mil lojas em 100 países) e Starbucks (35 mil unidades em 80 países).

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A estreia da Mixue no Brasil e na América do Sul traz planos ambiciosos: os chineses quere transformar o país numa espécie de 'hub' para a América do Sul, investindo numa fábrica de insumos para exportar para os países vizinhos. A empresa anunciou o plano em 2025, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, com investimento previsto de R$ 3,2 bilhões no Brasil até 2030, incluindo uma fábrica própria.

— Vamos ter nossa cadeia de produção aqui no Brasil. Já estamos adquirindo itens usados em nossos produtos como limões, laranjas, creme de leite, café de fornecedores locais. A expectativa é ter entre 60 a cem lojas até o final deste ano e acelerar a expansão, que vai depender da adesão aos produtos e dos franqueados — disse ao GLOBO Tian Zezhong, CEO da Mixue no Brasil.

Se tudo correr como o esperado, a ideia é ter cerca de 2 mil lojas espalhadas pelo país nos próximos quatro anos. As negociações para a construção da fábrica de insumos já estão adiantadas e levam em consideração as características logísticas da região onde ela será instalada. Será a primeira fábrica fora da China da rede e o local será divulgado em breve.

Outras unidades próprias da Mixue devem ser abertas em São Paulo (inclusive na Rua 25 de Março) e no Rio de Janeiro, onde já existem negociações para pelo menos dez pontos. A ideia é ter também quiosques, além de lojas como a de São Paulo, que tem 71 metros quadrados. Em breve, a Mixue vai divulgar o valor de uma franquia da rede, que deve ser o motor de crescimento no país.

Assim com as montadoras chinesas estão buscando novos mercados, a Mixue também trilha esse caminho. Sua primeira loja fora da China foi em Hanói, no Vietnã, em 2018, e em seguida expandiu-se para Austrália, Cingapura, Coreia do Sul, Filipinas, Indonésia e Malásia e outros países.

Fundada em 1997, a companhia de capital privado já tem ações negociadas na Bolsa de Hong Kong desde 2021. Criada por Zhang Hongchao, estudante de economia, e seu irmão Hongfu, eles fizeram um empréstimo com a avó, começando o negócio com uma barraca de rua que vendia raspadinhas e bebidas geladas. Depois, a barraca se transformou num restaurante, que também começou a vender sorvete, que virou o carro-chefe dos produtos.

Em 2025, o grupo Mixue registrou um lucro líquido de 5,89 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 858,8 milhões), um aumento de mais de 30% em relação ao ano anterior. A receita da empresa no ano passsado atingiu 33,6 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 4,9 bilhões), representando um aumento de 35,2% em comparação com o ano anterior.

Cardápio da Mixue no Brasil: estratégia de preços baixos será mantida

João Sorima Neto/O Globo

A rede chinesa ficou conhecida pela oferta de produtos a preços baixos. No Brasil, ela vai manter essa estratégia e o cardápio tem 14 itens, com preços que começam em R$ 3 (uma casquinha de sorvete) e chegam a R$ 12, um milk tea. Entre os produtos, o carro-chefe, diz o CEO Zezhong, é a limonada (R$ 7), mas ele recomenda também o Affogato (R$ 11). Há ainda chás de jasmim e chá preto (R$ 7), além de diversos mascotes chamados de "Rei da Neve" para colecionadores.

— Nossa meta é que 90% da população brasileira tenha acesso a nossos produtos — disse o CEO, que estava na loja que será inaugurada no próximo sábado, junto a uma equipe de funcionários que veio da China para calibrar as máquinas automáticas que preparam os produtos. Na loja, haverá uma equipe de 45 atendentes se revezando em três turnos.

A estreia da Mixue no Brasil será no Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista. O shopping vem se consolidando como porta de entrada para marcas asiáticas no país. A primeira unidade da Huawei no Brasil está ali, assim como a primeira loja 'pop up store' oficial da banda sul-corenana BTS na América do Sul.

No fim do ano passado, o Cidade São Paulo recebeu uma pop-up store do Kwai, plataforma de comércio eletrônico integrada ao aplicativo de vídeos curtos e, em janeiro deste ano, foi a vez da Keeta, plataforma chinesa de delivery, realizar uma ação especial no empreendimento.

— É um shopping muito diverso, de segunda a quinta tem um público mais executivo. De quinta a domingo, vira um shopping de lazer, e o público muda completamente. Por estar numa localização bem estratégica, acabamos atraindo marcas que eventualmente estão pensando em ter uma primeira opção no país. Com público distino, elas conseguem testar bem os produtos — diz Ricardo Loducca, diretor comercial e de marketing da SYN, proprietária do shopping, que diz que com a chegada da Mixue, o local reforça o posicionamento como vitrine de marcas internacionais e tendências globais de consumo.