Misseis espaciais e vinte anos de preparo: Veja o que se sabe sobre ataque de Israel e EUA que matou aiatolá Ali Khamenei

 

Fonte:


Israel utilizou um míssil balístico pouco conhecido, capaz de sair da atmosfera terrestre antes de atingir o alvo, para matar o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em um ataque surpresa contra Teerã. O armamento, chamado Blue Sparrow, tem alcance aproximado de 2 mil quilômetros e foi projetado para atingir alvos altamente protegidos.

Guerra chega ao sexto dia: Acompanhe a cobertura ao vivo

Força Radwan: unidade de elite do Hezbollah retorna ao sul do Líbano para conter avanço de Israel, diz agência

Cilindros metálicos longos, considerados destroços do míssil, foram encontrados no oeste do Iraque, ao longo do que seria sua rota de voo até o território iraniano. O Blue Sparrow integra uma série de mísseis lançados do ar — que inclui também os modelos Black Sparrow e Silver Sparrow — originalmente desenvolvidos para simular os mísseis Scud utilizados pelo Iraque contra Israel durante a Guerra do Golfo de 1991.

Mísseis Sparrow, usados por Israel

Reprodução: rafael.co.il

Com cerca de 6,5 metros de comprimento e peso aproximado de 1,9 tonelada, o Blue Sparrow foi criado inicialmente como míssil-alvo para testes de sistemas de defesa aérea. Posteriormente, foi adaptado para uso ofensivo como munição ar-superfície, graças à sua alta velocidade e trajetória quase balística.

A capacidade de sair e reentrar na atmosfera terrestre dificulta sua interceptação e reduz o tempo de reação do alvo, tornando-o adequado para atingir objetivos estratégicos e sensíveis em ambientes altamente protegidos, sem expor aeronaves tripuladas.

Leia também: Mais de 20 mil israelenses já retornaram ao país desde o início da guerra com o Irã, e 120 mil ainda tentam voltar

Autoridades americanas também confirmaram o uso de novos sistemas de armas durante a operação. O Pentágono divulgou imagens da primeira utilização em combate do Precision Strike Missile, um míssil de alcance ampliado de cerca de 500 quilômetros.

Galerias Relacionadas

Segundo uma fonte informada sobre a operação, o ataque contra o Irã vinha sendo planejado havia meses. O cronograma foi alterado quando os serviços de inteligência descobriram que Khamenei participaria pessoalmente de uma reunião na manhã de sábado.

Durante mais de duas décadas, a unidade de inteligência cibernética israelense Unit 8200 monitorou os guarda-costas do líder iraniano e invadiu câmeras de trânsito ao redor de seu complexo em Teerã.

Starmer: Criticado por Trump, premier britânico anuncia envio de mais caças ao Catar para 'defender nossos aliados' durante a guerra

Nos últimos meses, Khamenei vinha passando grande parte das noites em um bunker subterrâneo — tão profundo que, segundo relatos, levava cerca de cinco minutos para chegar até ele. O regime iraniano acreditava que Israel atacaria à noite.

O cálculo se mostrou errado.

Caças israelenses F-15 e outras aeronaves decolaram por volta das 7h30 (horário local do Irã) e chegaram à posição de ataque menos de duas horas depois. Às 9h40 começaram os bombardeios, incluindo o lançamento de mísseis Blue Sparrow. Pelo menos 30 ataques de precisão foram direcionados diretamente ao complexo do líder supremo.

Initial plugin text

Simultaneamente, Israel interrompeu o serviço telefônico na área do complexo, impedindo que assessores pedissem ajuda. Ainda assim, rapidamente surgiram relatos de ataques aéreos na capital iraniana.

Vídeos publicados nas redes sociais mostraram colunas de fumaça se elevando de vários pontos de Teerã, incluindo a área do complexo do líder supremo. Até as 18h, já era evidente que os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel haviam causado danos significativos, com ao menos seis edifícios atingidos.

Na manhã seguinte, às 5h no horário local, a mídia estatal iraniana confirmou a morte de Khamenei.

Além dos mísseis Blue Sparrow, Israel afirmou ter lançado cerca de 2 mil bombas nas primeiras 30 horas de guerra. Os Estados Unidos, por sua vez, dispararam mísseis de cruzeiro Tomahawk — incluindo uma nova variante preta — e foguetes HIMARS, atingindo mais de mil alvos nas primeiras 24 horas.

O número de ataques continuou a crescer. O general Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA, afirmou na terça-feira que forças americanas já haviam destruído 2 mil alvos dentro do Irã, além de 17 embarcações iranianas.

Israel também segue realizando ondas de ataques contra alvos no Irã e contra o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, no Líbano.

O custo humano do conflito, porém, tem sido elevado. Segundo a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), o número de mortos no Irã chegou a quase 1.100 até terça-feira, incluindo ao menos 181 crianças com menos de 10 anos.

No Líbano, o Ministério da Saúde informou que ataques aéreos israelenses já deixaram pelo menos 50 mortos. Enquanto isso, os combates continuam sem sinais de desaceleração.