Míriam Leitão aponta “irresponsabilidade fiscal” de Flávio Bolsonaro com proposta de recriação do Perse

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A jornalista Míriam Leitão aponta como ruim e irresponsável a proposta do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, de ressuscitar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). De acordo com análise publicada no jornal O Globo nesta quarta-feira (21), a medida encontrava respaldo no momento em que foi criada, em 2021, para amenizar os impactos da crise sanitária provocada pela Covid-19 no mercado de entretenimento, eventos e turismo. A iniciativa, contudo, estendeu-se durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) por interesses eleitorais. Com isso, expandiu-se excessivamente e consumiu cerca de R$ 60 bilhões das contas públicas.

A colunista ressalta que a extinção definitiva do Perse ocorreu em 2025, no governo Lula (PT), em razão dos elevados custos e das sucessivas fraudes. Em 2024, órgãos de fiscalização detectaram mais de 2,2 mil companhias tirando proveito das vantagens tributárias do mecanismo sem possuírem a liberação legal concluída. Entre os beneficiários indevidos estavam até influenciadores digitais.

Míriam Leitão adverte que o pré-candidato do PL insiste na volta do subsídio sem apresentar justificativas plausíveis, sem estimar o impacto orçamentário e sem apontar de onde sairá a verba necessária. A jornalista contrasta a investida ao desempenho recente da própria área de espetáculos e festas. Dados da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) mostram movimentação de R$ 89,9 bilhões entre janeiro e julho deste ano — avanço de 7,8% frente a igual período do ano anterior e recorde da série histórica.

A analista observa ainda que o parlamentar lança mão de anúncios diários de campanhas, sem embasamento numérico ou projeção financeira. Flávio Bolsonaro adotou comportamento equivalente na proposta do Desenrola 3 para compra de dívidas — ampliando a carência dos valores remanescentes — e na promessa do ViraPix, que acena com devolução parcial do pagamento de boletos.

Por fim, Míriam Leitão expressa perplexidade diante da ausência de questionamentos por parte de economistas e especialistas em contas públicas. A colunista denuncia haver uma complacência generalizada com os sobressaltos fiscais do candidato do PL, enfatizando que as medidas anunciadas até o momento descumprem totalmente a promessa de promover um corte de despesas de R$ 200 bilhões no primeiro ano de um eventual governo.

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