247 – O ministro para Cooperação para o Desenvolvimento Internacional e Comércio Exterior da Suécia, Benjamin Dousa, afirmou nesta sexta-feira (6), durante o Diálogo Empresarial Brasil-Suécia realizado na Fiesp em São Paulo, que Estocolmo trabalha ativamente para aprofundar os laços econômicos entre a Europa e a América Latina, segundo informações publicadas pela imprensa.
No ano em que os dois países celebram duzentos anos de relações diplomáticas, o representante do governo sueco declarou que o país tem defendido de forma contínua e consistente a conclusão do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, apontando a iniciativa como um marco essencial para a política comercial europeia e para a integração regional.
“O governo sueco e eu, pessoalmente, apoiamos fortemente um pacto econômico mais estreito entre a Europa e a América Latina e temos, de forma consistente, incentivado o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul”, declarou o ministro sueco durante o evento na capital paulista.
Integração econômica e geopolítica em debate Na avaliação do ministro Benjamin Dousa, o entendimento entre o bloco sul-americano e a União Europeia desempenha um papel fundamental ao estabelecer um marco regulatório mais previsível para o comércio internacional.
O representante governamental destacou que a consolidação do pacto tende a reduzir barreiras alfandegárias, ampliar o acesso a mercados estratégicos e padronizar regras comerciais entre os países signatários. Além dos aspectos puramente econômicos, Dousa enfatizou que o acordo possui um peso geopolítico expressivo.
Segundo a autoridade, a assinatura e validação do tratado sinalizam uma escolha clara pelo livre comércio em um contexto internacional marcado por contestações e barreiras crescentes à abertura comercial em diversas regiões do planeta. Para o governo sueco, a consolidação desse entendimento representa um avanço institucional indispensável para mitigar incertezas globais e fortalecer laços multilaterais baseados em normas claras e previsibilidade regulatória.
Pilares da cooperação bilateral Durante sua intervenção perante empresários e autoridades, o ministro detalhou que a relação bilateral entre Brasil e Suécia está estruturada sobre três pilares fundamentais de sustentação diplomática e econômica.
O primeiro deles é a parceria estratégica firmada no ano de 2009, um instrumento diplomático que abrange setores vitais como educação, saúde, mineração, desenvolvimento de cidades sustentáveis e expansão da bioeconomia. Como desdobramento dessa parceria de longo prazo, o ministro recordou a assinatura recente de um novo plano de ação formalizado pelos chanceleres das duas nações.
Esse mecanismo institucional foi concebido especificamente para atualizar os termos da cooperação mútua e inaugurar um novo ciclo de relacionamento político, tecnológico e comercial entre os governos brasileiro e sueco, consolidando décadas de diálogo bilateral ininterrupto e confiança mútua.
Presença empresarial e laços institucionais O segundo pilar destacado pelo ministro sueco refere-se diretamente à densidade da relação econômica privada, materializada pela expressiva presença de mais de duzentas e cinquenta empresas de capital sueco operando no mercado brasileiro.
O grupo inclui desde corporações industriais tradicionais e consolidadas no país, a exemplo da Ericsson e da SKF, até novos investidores estrangeiros, como a gigante do setor varejista H&M, demonstrando a confiança contínua do empresariado nórdico no ambiente econômico nacional.
O terceiro pilar apontado por Benjamin Dousa compreende as conexões profundas estabelecidas entre pessoas, agências governamentais, universidades e companhias dos dois países. Segundo o titular da pasta de Comércio Exterior, essas instituições atuam lado a lado em iniciativas conjuntas voltadas à inovação tecnológica e ao desenvolvimento científico, fortalecendo a troca de conhecimentos especializados e a capacitação profissional em setores industriais de alta complexidade.
Cooperação industrial e o programa Gripen Como principal exemplo prático dessa cooperação industrial de longo prazo, o ministro citou o programa militar do caça Gripen, desenvolvido conjuntamente por companhias como a sueca Saab e a brasileira Embraer.
Dousa pontuou que, além de figurar entre os maiores contratos de exportação da história da Suécia, a iniciativa representa o maior programa em andamento voltado à transferência de tecnologia para o Brasil, englobando o treinamento intensivo de engenheiros, pilotos e mecânicos nacionais.
O projeto também tem viabilizado a inserção de diversas empresas brasileiras na cadeia global de fornecedores da indústria de defesa sueca. Como marco desse esforço integrado, o ministro mencionou a montagem bem-sucedida da primeira unidade do caça Gripen em solo brasileiro, realizada na planta industrial localizada no município paulista de Gavião Peixoto, simbolizando o adensamento tecnológico proporcionado pela parceria estratégica bilateral.
Parceria aeroespacial e metas climáticas O representante do governo sueco apontou ainda que existem amplas oportunidades para expandir a colaboração mútua em frentes estratégicas ligadas à pesquisa aplicada, inovação e desenvolvimento de capacidades futuras.
Como evidência dessa dinâmica de cooperação contínua, Dousa lembrou a recente decisão da Suécia de adquirir a aeronave de transporte militar cargueiro C-390 Millennium, fabricada pela Embraer, abrindo um novo capítulo no histórico de cooperação aeroespacial entre os dois países. Adicionalmente, o ministro destacou que o ecossistema de empresas suecas instaladas no Brasil encontra-se estrategicamente posicionado para colaborar com a implementação das metas climáticas nacionais estabelecidas pelo país.
Por meio de tecnologias avançadas e soluções de engenharia, essas companhias buscam mitigar a emissão de gases poluentes em setores econômicos cruciais, tais como transporte, indústria energética, mineração, agricultura sustentável, construção civil e gestão de resíduos sólidos. Concluindo sua exposição perante o empresariado reunido na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o ministro Benjamin Dousa resgatou a mensagem central de seu discurso ao reiterar que, após duzentos anos de amizade diplomática ininterrupta, a sólida relação de confiança construída entre Brasil e Suécia fornece a base necessária para elevar patamares de comércio e investimentos, transformando inovação em cadeias industriais altamente competitivas que conciliem crescimento econômico, prosperidade social e uma transição energética sustentável.
Brasil 247