Ministro se reúne com CEO de empresa brasileira de terras-raras e afirma que país está aberto ao capital americano
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, se reuniu nesta terça-feira com o CEO Global do Grupo Serra Verde, formado com a compra da mina de terras-raras em Goiás pela empresa americana USA Rare Earths. O ministro disse que o Brasil está aberto ao capital americano, mas que o empreendimento deve contribuir com o desenvolvimento do setor no país.
Em abril, o grupo Serra Verde e a USAR anunciaram a criação de uma multinacional em terras-raras que busca estruturar a cadeia produtiva de ímãs de terras-raras no Brasil, com atuação nos EUA, França e Reino Unido. A nova empresa terá capacidade operacional para desde a extração, o processamento, a separação, metalização e fabricação de ímãs.
O CEO Thras Moraitis se reuniu nesta terça com Silveira no Ministério de Minas e Energia, em Brasília. Ele é presidente e membro do conselho de administração da USA Rare Earths.
“O Brasil está aberto ao capital americano e de qualquer outro país que respeite a nossa soberania, essa é a mensagem que o presidente Lula deixou ao presidente dos Estados Unidos e a todo o mundo. Todos conhecem as nossas potencialidades e riquezas minerais, por isso estamos trabalhando na construção de uma política para que estes investimentos internacionais, como o da Serra Verde, se consolidem como um ativo estratégico para o desenvolvimento industrial e mineral nacional, fazendo com que o nosso país deixe de ser apenas um exportador de commodities”, disse o ministro em nota.
Silveira ressaltou, também, o projeto que institiu a política de terras-raras que avança no Congresso e define regras para o setor.
“Queremos garantir toda a estabilidade ao investimento estrangeiro, tanto do ponto de vista regulatório, ambiental e econômico. Sabemos das condições geopolíticas favoráveis do Brasil, por isso os investidores podem confiar no Brasil”, concluiu Silveira.
A Serra Verde opera em Minaçu, em Goiás, e é atualmente, o principal projeto brasileiro de terras raras em operação comercial no Brasil. A empresa já produz um Carbonato de Terras Raras, que representa a primeira etapa de agregação de valor da cadeia.
"Saudamos a confirmação do Ministro sobre a abertura do Brasil ao investimento privado, no interesse de desenvolver o significativo potencial do Brasil no fornecimento global de materiais críticos. Investimos valores substanciais de capital privado ao longo de 15 anos, o que nos permitiu processar nosso minério em um carbonato de alto valor. Nossa combinação com a USA RE nos proporciona acesso a novas tecnologias que podem agregar ainda mais valor ao nosso produto no Brasil, o que estamos comprometidos em avaliar”, disse Thras Moraitis em nota.
O acordo de fusão entre as empresas é analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O negócio foi avaliado em US$ 2,8 bilhões. A companhia americana informou que pagará US$ 300 milhões em dinheiro e emitirá cerca de 126,8 milhões de ações. Proprietária de uma grande mina de terras-raras no norte de Goiás, a Serra Verde é controlada por duas companhias americanas (Denham Capital e EMG) e uma britânica (Vision Blue).
No procedimento aberto no dia 11 de maio, o Cade vai avaliar se o negócio entre as duas empresas configura ato de concentração. Caso positivo, definirão se seria caso de notificação obrigatória ou se mereceria requerer sua submissão para que sejam verificados os impactos concorrenciais das operações.
