Ministro iraniano ironiza nome de operação de Trump para reabertura de Ormuz: 'projeto impasse'

 

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as acusações de ataques no Estreito de Ormuz mostram que 'não há solução militar para uma crise política'.

As declarações de Araghchi, publicadas nas redes sociais, surgem na sequência de incidentes nessa segunda-feira (4) na via, gerando relatos contraditórios. A mídia estatal iraniana afirmou que o país atingiu um navio de guerra americano com dois mísseis, o impedindo de entrar no estreito.

No entanto, os militares dos EUA responderam, insistindo que 'nenhum navio da Marinha dos EUA foi atingido', com Donald Trump afirmando que dois navios mercantes com bandeira dos EUA haviam transitado com sucesso pela região.

O Comando Central dos EUA acrescentou que destróieres americanos estão operando no Golfo Pérsico numa tentativa de reabrir a hidrovia.

Ao fim do dia, Trump afirmou que os EUA abateram vários 'pequenos barcos', enquanto os Emirados Árabes Unidos alegaram ter sido alvo de mísseis iranianos.

Em sua postagem, Araghchi acrescentou:

'Com o progresso das negociações graças aos esforços do Paquistão, os EUA devem ter cuidado para não serem arrastados de volta para o atoleiro por pessoas mal-intencionadas. O mesmo vale para os Emirados Árabes Unidos'.

Ele ainda ironizou o nome da operação de Trump de escolta de Ormuz, chamado de 'projeto liberdade'. Abbas intitulou como 'projeto impasse'.

'Projeto Liberdade' é o nome dado por Trump à operação dos EUA para guiar navios 'em segurança' para fora do Estreito de Ormuz, que ele disse que começaria na segunda-feira, mas não forneceu mais detalhes.

No domingo, ele escreveu na sua rede social Truth Social:

'Esses navios são provenientes de áreas do mundo que não estão de forma alguma envolvidas com o que está acontecendo atualmente no Oriente Médio. Instruí meus representantes a informá-los de que faremos todos os esforços para retirar seus navios e tripulações do Estreito em segurança. Em todos os casos, eles disseram que não retornarão até que a área se torne segura para navegação e tudo o mais'.

Emirados Árabes intercepta mísseis do Irã pela primeira vez desde cessar-fogo

Míssil iraniano atinge Israel em meio a guerra no Oriente Médio.

JACK GUEZ / AFP

Os Emirados Árabes Unidos informaram nesta segunda-feira (4) que seus sistemas de defesa aérea estavam respondendo a ameaças de míssil, e instaram seus cidadãos a permanecerem em um local seguro.

A notícia surge quase um mês após o início do cessar-fogo. Desde então, os ataques as bases americanas na região pelo Irã foram cessados.

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram três mísseis disparados do Irã. Ao todo foram três mísseis acima das águas territoriais do país, enquanto o último caiu no mar.

As autoridades de Fujairah informaram que um incêndio começou na Zona Industrial de Petróleo de Fujairah após o que descreveram como um ataque de drone proveniente do Irã, e que equipes da defesa civil estão trabalhando para controlar as chamas.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse em entrevista à Fox News que os EUA tinham 'controle absoluto' do Estreito de Ormuz e estavam reabrindo a hidrovia.

Bessent acrescentou que os Estados Unidos estavam 'atirando apenas quando atacados'.

Em meio a isso, ao menos dois países relataram ataques contra suas embarcações em Ormuz.

A Coreia do Sul afirmou nesta segunda-feira que uma embarcação com bandeira sul-coreana havia sido atacada no Estreito de Ormuz, informou a agência de notícias Yonhap, com sede em Seul. Segundo o governo, o navio pegou fogo.

Já os Emirados Árabes Unidos condenaram nesta segunda-feira (4) um ataque com drone contra uma embarcação afiliada no Estreito de Ormuz, classificando o episódio como um ato de pirataria da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos afirmou que atacar navios comerciais e usar o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão viola a liberdade de navegação e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

O ministério informou que a embarcação foi alvo de dois drones enquanto transitava pela hidrovia.