Ministro iraniano defende novo líder supremo como 'continuidade' do regime e diz que guerra 'fracassou'

 

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, defendeu a escolha de Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, como uma 'continuidade do regime'. Segundo ele, isso demonstra também 'estabilidade' em meio a guerra com Israel e Estados Unidos no Oriente Médio.

As afirmações foram dadas em uma entrevista à PBS News.

Além disso, o ministro afirmou que EUA e Israel 'tentaram atingir algumas metas, alguns objetivos' desde o início do conflito, porém 'falharam'.

'Eles pensaram que, em questão de dois ou três dias, poderiam promover uma mudança de regime, uma vitória rápida e incontestável, mas falharam. Portanto, acredito que o plano A fracassou, e agora estão tentando outros planos, mas todos também fracassaram'.

'E eu não acho que eles tenham um objetivo final realista em mente, porque estamos vendo uma espécie de caos. Suas declarações e ações mostram que eles começaram a nos atacar cegamente. Eles estão atacando — hoje, atacaram áreas residenciais. Atacaram hospitais. Atacaram escolas'.

Araghchi completa dizendo que, por conta disso, não vê nenhum objetivo razoável no que estejam buscando.

'Eles falharam em atingir seus objetivos no início e agora, depois de 10 dias, acho que estão sem rumo'.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou em publicação nas redes sociais que o país segue sem a intenção de chegar a um cessar-fogo na guerra, corroborando com o discurso de outras autoridades do país nessa segunda (9).

Segundo ele, o Irã acredita que o 'agressor deve ser atingido para que aprenda a lição e nunca mais pense em atacar o Irã'.

Ghalibaf, influente presidente do Parlamento iraniano, acrescenta que Israel se baseia em um ciclo de 'guerra, negociações, cessar-fogo e depois guerra novamente' para manter sua hegemonia, e afirmou que o Irã romperá esse ciclo.

Países do Oriente Médio reduzem produção de petróleo por fechamento do Estreito de Ormuz, diz agência

No momento, não há risco de interrupção nas importações ou exportações de petróleo da Petrobras

Pablo Porciuncula/AFP

Os países do Oriente Médio diminuíram bastante a produção de petróleo nos últimos dias após o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem importante do gás e petróleo mundial, e da intensificação da guerra na região.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, a Arábia Saudita reduziu a produção de petróleo entre 2 milhões e 2,5 milhões de barris por dia, e os Emirados Árabes Unidos cortaram a sua produção em 500 mil a 800 mil barris por dia.

O Kuwait também reduziu a produção em meio milhão de barris por dia, e o Iraque em cerca de 2,9 milhões, acrescenta o relatório, citando pessoas com conhecimento do assunto.

Nessa segunda-feira (9), uma fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que a guerra estaria mais próxima do final fez os preços dos barris despencarem, com a expectativa de um possível fluxo na região.

Mais cedo, o republicano havia dito que os combates contra o Irã devem acabar em breve. Segundo ele, a guerra estava 'praticamente concluída'. O país persa rebateu e disse que o fim da guerra será determinado por Teerã.

Trump não estabeleceu um prazo para cessar os ataques. Ao falar do fim do conflito, o presidente exaltou a capacidade militar americana.

A sinalização foi feita no dia em que a perspectiva de interrupção no fornecimento global de petróleo levou o preço do barril aos 120 dólares, no maior valor em quatro anos.

Antes do início do conflito, a cotação estava em torno dos 70 dólares. Depois das falas de Trump, o petróleo caiu e voltou a ficar abaixo dos cem dólares.

O presidente americano disse que poderia suspender algumas sanções envolvendo o petróleo, mas não especificou quais. Segundo a agência Reuters, as sanções contra o petróleo da Rússia podem cair como parte de um pacote para conter a disparada de preços.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Divulgação/Casa Branca