Ministro de Minas e Energia critica Ricardo Nunes e diz que prefeito de SP fez “politicagem” em caso da Enel

 

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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quarta-feira (11) que o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, tem feito “politicagem” em torno dos problemas de fornecimento de energia na capital paulista envolvendo a Enel.

A declaração foi dada durante audiência pública na Câmara dos Deputados, na qual o ministro também defendeu a ampliação de investimentos em energia nuclear no país.

Segundo Silveira, parte das dificuldades enfrentadas pela distribuidora na resposta a eventos climáticos extremos está ligada ao modelo de gestão da empresa. Ao comentar sobre processos de renovação, o ministro diz que está “muito feliz”, mas que tem um problema pontual justamente com a empresa italiana.

— A Enel é uma empresa pública italiana e tem, na nossa visão, um problema que contribui com a sua morosidade na resposta aos eventos climáticos severos que vivemos hoje pelo fato de ter uma gestão muito centralizada na Itália, diferente de outras distribuidoras que têm uma resposta mais rápida no Brasil —, afirmou.

Ao comentar a série de apagões registrados na capital paulista, o ministro disse que o debate tem sido explorado politicamente pela prefeitura.

— No caso de São Paulo, existe uma politicagem por parte do prefeito de São Paulo. Eu presto minhas escusas por sua ausência, mas disse isso pessoalmente para ele —, declarou Silveira.

De acordo com o ministro, as características urbanas da cidade também contribuem para os problemas no fornecimento de energia, especialmente durante eventos climáticos intensos. Ele citou a grande quantidade de árvores e a ausência de rede elétrica subterrânea em grande parte da capital.

— São Paulo é uma das metrópoles mais arborizadas do Brasil e é impossível resolver o problema se não tivermos uma rede elétrica subterrânea. Não se resolverá o problema de São Paulo se não houver parceria entre qualquer distribuidora e a prefeitura, com boa vontade na questão da arborização. A cada evento climático, que se tornam cada vez mais severos, nós vamos ter problemas em São Paulo —, completou.

Nos últimos anos, a capital paulista tem enfrentado sucessivos episódios de interrupção no fornecimento de energia. No final de 2025, por exemplo, um apagão provocado por fortes rajadas de vento deixou cerca de 2,2 milhões de imóveis sem eletricidade na cidade.

O contrato atual da Enel para distribuição de energia em São Paulo termina em 2028, mas a empresa já solicitou renovação antecipada da concessão. A situação, no entanto, é alvo de questionamentos dentro do próprio setor elétrico.

No fim de fevereiro, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Sandoval Feitosa, votou por recomendar ao Ministério de Minas e Energia a caducidade do contrato da Enel na capital paulista. Para Feitosa, a companhia “perdeu a credibilidade e legitimidade” para continuar prestando o serviço na cidade.