O ministro da Advocacia Geral da União (AGU), Jorge Messias, teve uma conversa com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, nesta quarta-feira antes das decisões tomadas pelo magistrado para tentar contornar a crise que atinge a Corte. Durante a tarde, integrantes do governo passaram a afirmar nos bastidores que acreditavam que Fachin faria em breve um despacho para anular a decisão de terça-feira do ministro André Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, do cargo, apesar de ter dado na terça-feira um prazo de 72 horas para o colega de Corte se manifestar sobre um recurso da AGU.
Pela manhã, uma decisão do ministro Flávio Dino já havia reconduzido Rodrigues ao posto. Na conversa, Messias fez um apelo para que Fachin entrasse no caso logo com o objetivo de restabelecer a ordem institucional. Argumentou ainda que, sem a intervenção do presidente do STF, um outro ministro poderia fazer um novo despacho determinando a saída do diretor-geral da PF, o que contribuiria para conturbar ainda mais o ambiente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também vinha atuando nos bastidores para que Fachin tomasse as rédeas do conflito entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes. O mandatário teve conversas com pelo menos dois magistrados da Corte. De acordo com interlocutores, Lula avaliava que Fachin poderia perder força internamente se demorasse a agir. No fim da tarde desta quarta-feira, o presidente do Supremo tomou uma série de decisões, entre elas o agendamento para a próxima terça-feira, dia 15, de julgamento para tratar de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes.
Além disso, Fachin assumiu a investigação do chamado inquérito das fake news, retirando Moraes da função, e suspendeu as decisões que tratavam sobre o afastamento de Andrei Rodrigues, ao mesmo tempo que manteve o integrante da corporação no cargo.
Menos de 20 minutos depois dos despachos de Fachin, a Advocacia Geral da União (AGU), comandada por Messias, divulgou uma nota em saúda as decisões e chama o presidente do Supremo de "sóbrio e prudente". O órgão afirma que recebeu com "satisfação, respeito e esperança" a decisão. "A decisão restaura a ordem pública e administrativa e, sobretudo, reafirma a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover os cargos de direção da Polícia Federal", diz. No texto, a AGU disse que foram "reestabelecidas as condições necessárias ao regular funcionamento das atividades da Polícia Federal, instituição essencial à segurança pública e ao Estado Democrático de Direito". No texto, o órgão comandado pelo ministro Jorge Messias afirma ainda que a decisão de Fachin contribui para "restaurar a institucionalidade no âmbito da Suprema Corte e fortalecer a confiança da sociedade no Poder Judiciário". "A medida também milita em favor da harmonia entre os Poderes da República, ao reafirmar e respeitar as competências que a Constituição Federal atribui a cada um deles. Em última análise, contribui para a preservação da paz social e da estabilidade institucional", prossegue a nota.
O Globo