Ministro britânico afirma que Keir Starmer reflete sobre ‘realidades políticas’ diante de ameaça à sua liderança
O ministro de Negócios britânico, Peter Kyle, afirmou que o primeiro-ministro, Keir Starmer, está refletindo sobre as “realidades políticas” após a eleição de seu rival de partido, Andy Burnham, para o parlamento, o que prepara o terreno para um possível desafio à sua liderança.
Falando a emissoras no domingo, Kyle disse não ter motivos para acreditar que Starmer planeje anunciar sua renúncia na segunda-feira (22), mas que seria “ilusório” não pensar que sua posição está sob ameaça.
“Hoje, como em todos os outros dias desde que conheço Keir, ele está lá trabalhando duro. Ao mesmo tempo, ele também está tentando criar um espaço onde possa pensar e refletir sobre as realidades e os desafios políticos, e as oportunidades, que temos pela frente”, disse Kyle em uma entrevista à Sky News.
Kyle não repetiu o discurso recente de Downing Street de que Starmer planejava lutar contra qualquer desafio.
Burnham nos bastidores
A ameaça à posição de Starmer, que vem crescendo há meses, aumentou drasticamente na sexta-feira (19), quando o prefeito de Manchester, Andy Burnham, conquistou um assento no parlamento que lhe permitirá lançar um desafio formal à liderança.
A impopularidade de Starmer ficou evidente pelas pesadas perdas do partido governista nas eleições locais de maio, e pesquisas entre membros do Partido Trabalhista indicam que Burnham venceria essa disputa.
O jornal The Observer informou no final do sábado que Starmer estava discutindo seu futuro com sua esposa em sua residência oficial de campo, Chequers, antes de tomar uma decisão final, e que figuras importantes do Partido Trabalhista esperavam uma declaração clara já na segunda-feira.
Em resposta à reportagem, uma fonte do governo disse que o primeiro-ministro continua focado em seguir com o trabalho de governar.
“Não tenho motivos para acreditar que sejam verdadeiros. Estou vendo muita especulação por aí”, afirmou Kyle à Sky News, questionado sobre relatos de que Starmer estaria se preparando para renunciar.
Kyle se recusou a entrar em detalhes sobre o que chamou de uma “conversa franca” com Starmer na sexta-feira, além de dizer que foi longa e que “nem uma vez... ele perguntou sobre interesses próprios. Foi sempre sobre o país”.
Em uma entrevista posterior à BBC, Kyle reconheceu que a posição de Starmer está sob ameaça.
“Não quero vir aqui e ter a ilusão de que não há um processo, de que não há forças em ação desafiando o primeiro-ministro como líder. Esse é claramente o caso”, afirmou.
A ex-ministra Jess Phillips, apoiadora do secretário de Saúde Wes Streeting, outro potencial desafiante de Starmer, disse à BBC que “parece que chegamos ao fim da linha” e que o melhor seria que a saída de Starmer fosse “a mais digna possível”.
Starmer já havia afirmado anteriormente que concorreria em qualquer disputa formal pela liderança do Partido Trabalhista que tentasse substituí-lo.
Os candidatos à liderança precisam reunir o apoio de 81 membros do parlamento do Partido Trabalhista, um quinto da bancada atual, para lançar um desafio formal.
