Ministério da Saúde da Suíça confirma primeiro caso na Europa ligado a surto de hantavírus em cruzeiro
O Ministério da Saúde da Suíça confirmou, nesta terça-feira (6), o primeiro caso europeu de hantavírus no país e informou que o paciente, um homem que havia retornado de uma viagem à América do Sul com a esposa no fim de abril, está internado em isolamento no Hospital Universitário de Zurique (USZ). O caso aumenta a atenção internacional em meio ao surto registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que já deixou três mortos e mobiliza autoridades sanitárias na Europa e na África.
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Segundo o comunicado oficial, ao perceber os primeiros sintomas, o homem entrou em contato com seu médico e foi encaminhado ao hospital universitário, onde foi imediatamente isolado. O diagnóstico foi confirmado por um teste realizado no laboratório de referência dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG), que identificou a presença do vírus Andes, uma variante do hantavírus encontrada na América do Sul.
“O risco para o público na Suíça é baixo”, afirmou o Departamento Federal de Saúde Pública (FOPH), destacando que a transmissão entre pessoas, embora possível nessa variante, é considerada rara e depende de contato muito próximo. O órgão acrescentou que, “ao contrário dos hantavírus europeus, que são transmitidos pelas excreções de roedores infectados, para a variante americana do hantavírus, a transmissão de pessoa para pessoa também foi documentada em casos raros”.
A esposa do paciente, que esteve com ele durante a viagem, ainda não apresentou sintomas, mas permanece em isolamento domiciliar por precaução. As autoridades cantonais investigam agora se houve contato com outras pessoas durante o período infeccioso.
Ainda de acordo com o ministério, o Hospital Universitário de Zurique é a unidade de referência para esse tipo de doença e já adotou todas as medidas de segurança necessárias para o tratamento do paciente. O FOPH informou também que mantém contato contínuo com as autoridades cantonais de Zurique, os hospitais universitários de Zurique e Genebra e a Organização Mundial da Saúde (OMS) para acompanhar o caso e coordenar ações.
A febre por hantavírus é considerada rara na Suíça. Nos últimos anos, foram registrados entre zero e seis casos anuais no país, sendo a maior parte relacionada a infecções adquiridas no exterior.
Navio em quarentena segue para a Espanha
A confirmação do caso ocorre enquanto o navio de cruzeiro holandês MV Hondius segue em quarentena rumo às Ilhas Canárias, na Espanha, após a morte de três pessoas a bordo pela doença. O Ministério da Saúde espanhol confirmou que permitirá a entrada da embarcação no porto de Santa Cruz, em Tenerife, dentro de três ou quatro dias, alegando razões humanitárias e legais.
O governo espanhol afirmou que o arquipélago é o local mais próximo com estrutura adequada para atender os pacientes e ressaltou que há uma “obrigação moral e legal” de prestar assistência, inclusive porque há cidadãos espanhóis entre os passageiros.
A decisão, porém, gerou forte reação do presidente regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, que afirmou não haver informações suficientes para garantir a segurança da população local.
“Esta decisão não se baseia em quaisquer critérios técnicos, nem existem informações suficientes para tranquilizar o público ou garantir sua segurança”, declarou.
O que é o vírus
O hantavírus é normalmente transmitido pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. No caso do surto ligado ao MV Hondius, a principal suspeita recai sobre o vírus Andes, uma cepa encontrada principalmente em áreas montanhosas da Argentina e do Chile.
Essa variante é a única conhecida com potencial de transmissão entre humanos, embora especialistas ressaltem que isso ocorre apenas em situações específicas e com contato próximo. A Organização Mundial da Saúde estima que a taxa de mortalidade possa chegar a 40%.
A suspeita de transmissão entre passageiros ganhou força justamente porque não haveria presença de roedores a bordo do navio, o que reduz a hipótese de contaminação tradicional e reforça o alerta internacional sobre possíveis eventos de superpropagação.
