‘Minha missão de vida’, diz delegado que retornou ao trabalho após ser baleado em megaoperação e ter perna amputada
O delegado Bernardo Leal, um dos agentes baleados por traficantes durante a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro do ano passado, retornou ao trabalho, nessa quarta-feira (28), depois de quase três meses afastado ao ser atingido por um tiro de fuzil.
Em entrevista ao CBN Rio, Bernardo Leal, mesmo depois de tudo, com o risco real de morrer, declarou seu amor pela profissão, pela Polícia Civil. Ele disse que é muito realizado e quer continuar e tentar fazer o melhor em termos de segurança pública:
"Eu acho que é minha missão de vida. Eu faço com amor, é o que eu gosto de fazer. (...) Eu tenho amor por tentar, de alguma forma, trazer justiça, trazer alguma ajuda para a sociedade. E eu acho que, através das nossas investigações, através do combate efetivo ao crime organizado, que eu acho que nós estamos fazendo, eu acho que é a melhor forma de se trabalhar, pelo menos para mim. (...) Então, podem ter diversas dificuldades que existem. Nós temos limitações, o risco de perder a vida, mas eu acho que o amor pela profissão, o amor pela Polícia Civil, eu acho que é o que me move. Então, eu sou muito realizado dentro da minha carreira e, ainda com todas essas dificuldades passadas, eu quero continuar e tentar fazer o melhor trabalho possível, tentar entregar para a população carioca e do estado do Rio uma sensação de segurança, uma sensação de que estamos combatendo de forma efetiva o crime organizado".
O delegado Bernardo Leal falou sobre a retomada ao trabalho e as perspectivas para o futuro:
"Eu voltei, para a minha felicidade também, para a Delegacia de Repressões aos Entorpecentes, a DRE, que é a delegacia que eu estava antes, que, inclusive, é a equipe que me salvou, uma equipe que eu tenho gratidão eterna e continuo desempenhando a minha atividade como delegado assistente lá, equipe comandada pelo doutor Moysés Santana, nosso titular, e que é onde eu estou muito feliz, é onde eu quero ficar, onde eu acho que consigo desempenhar um bom trabalho para tentar ajudar o nosso Rio de Janeiro. Isso é que é importante. Então, eu continuo na DRE como delegado assistente e o futuro, aos pouquinhos, a gente vai tendo novos desafios, mas a princípio é isso, continuar lá desempenhando o meu trabalho".
Ao chegar à Cidade da Polícia, Bernardo Leal foi recebido por um corredor de aplausos dos colegas. Um vídeo gravado no momento do ataque mostra o resgate do delegado em meio ao tiroteio, com policiais civis abrindo passagem à força para retirá-lo da área de confronto. O resgate foi feito sob fogo cruzado.
Relembre o caso:
O delegado Bernardo Leal foi baleado por traficantes durante a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro do ano passado. O resgate foi feito sob fogo cruzado. Como o beco era estreito, os agentes quebraram uma parede de concreto para abrir passagem e improvisaram um torniquete com um pedaço de madeira para conter o sangramento. Bernardo foi carregado nas costas até uma moto e depois levado em etapas até o hospital.
Bernardo Leal chegou ao hospital com apenas 3% de chance de sobreviver. O disparo provocou fratura no fêmur e rompeu a artéria e a veia femoral, causando uma hemorragia grave. Ele recebeu 30 bolsas de sangue e passou por 9 cirurgias. Inicialmente, a amputação foi feita abaixo do joelho, mas precisou avançar até a parte alta da coxa por falta de vascularização. O delegado ficou sete dias em coma e passou 47 dias internado. Após receber alta, iniciou o processo de reabilitação e adaptação a uma prótese, que foi custeada pelo governo do estado.
Ouça a entrevista completa:
