Minas de cobre da Austrália prosperam enquanto setor de carvão enfrenta dificuldades

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Fonte da notícia: Valor Valor

Um panorama do setor de recursos da Austrália revela a divergência em curso na indústria: o cobre continua atraindo fortes investimentos graças aos veículos elétricos e aos data centers, enquanto as operadoras de carvão respondem a um recente aumento na demanda sob a sombra de um setor em declínio.

A mina de cobre CSA — localizada em Cobar, uma cidade do interior de Nova Gales do Sul, e de propriedade da empresa sul-africana Harmony Gold Mining — estende-se por cerca de 2 quilômetros no subsolo, sendo uma das minas de cobre mais profundas da Austrália.

Espera-se que sua atual produção anual de aproximadamente 30 mil toneladas aumente para cerca de 40 mil toneladas nos próximos três a quatro anos. O cobre é utilizado em fiação elétrica e dispositivos semicondutores, e a demanda deve continuar crescendo. Os preços internacionais do cobre atingiram um recorde histórico em setembro.

Apesar da forte demanda, a escassez de mão de obra e as condições adversas permanecem como desafios para a indústria do cobre.

Uma vez que entram na mina, os trabalhadores passam 12 horas no subsolo, fazendo suas refeições em áreas de descanso subterrâneas. A escala de trabalho consiste em sete dias de atividade seguidos por sete dias de folga. Recrutar operadores qualificados para maquinário pesado e outras funções é difícil, dadas as localizações remotas e as condições de trabalho nas profundezas do subsolo.

Em uma visita recente, foi possível observar alguns trabalhadores da CSA operando remotamente maquinário subterrâneo a partir da superfície, em tempo real. A disseminação dessa tecnologia poderia ajudar as minas a recrutar profissionais para funções na superfície, com melhores condições de trabalho.

Na CSA, planeja-se a expansão para depósitos mais profundos, numa tentativa de adiar o esgotamento das reservas — atualmente estimado para ocorrer em cerca de 12 anos — por mais 12 anos. A empresa planeja investir em sistemas de ventilação paralelamente aos esforços de exploração.

No extremo oposto ao cobre está o carvão, que emite grandes quantidades de dióxido de carbono quando queimado para geração de energia, além de gases de efeito estufa aprisionados nas camadas de carvão durante a mineração. A cerca de 400 quilômetros a sudeste de Cobar fica Mudgee, uma região produtora de vinhos no centro-oeste de Nova Gales do Sul, também conhecida como um polo de grandes minas de carvão. O carvão produzido no local é transportado por ferrovia até o Porto de Newcastle, na costa leste do estado, e exportado para o Japão e outros consumidores asiáticos.

Moolarben, a maior mina operada pela Yancoal Australia, é a segunda maior mina de carvão do país e produz carvão térmico, utilizado para a geração de energia.

É possível ver caminhões circulando pela área e borrifando água nas estradas para evitar que a poeira se espalhe para as comunidades vizinhas. O carvão extraído é transportado das enormes minas a céu aberto por meio de correias transportadoras até grandes pilhas de armazenamento.

A Moolarben iniciou suas operações em 2010 e produz mais de 20 milhões de toneladas por ano. A Yancoal opera diversas minas, com uma produção total na Austrália de cerca de 70 milhões de toneladas anuais. A China foi o destino de 31% das exportações da empresa em volume em 2025, seguida pelo Japão, com 27%, e por Taiwan, com 12%.

O carvão australiano continua a suprir a demanda por eletricidade em toda a Ásia, mas o setor enfrenta desafios crescentes.

Um desses desafios são as regulamentações mais rigorosas sobre emissões de carbono. Em 2023, o governo australiano endureceu as regras para grandes instalações emissoras, exigindo a redução anual de 4,9% nos limites máximos de emissão.

As empresas que ultrapassam seus limites devem comprar créditos de carbono para compensar o excesso de emissões. O aumento da demanda elevou os preços dos créditos, forçando as empresas a continuar reduzindo suas emissões de carbono.

A Moolarben introduziu caminhões mais eficientes no consumo de combustível e adotou outras medidas. Como um único caminhão de grande porte consome cerca de 5 mil litros de diesel por dia, mesmo melhorias modestas na eficiência do combustível podem ter um impacto significativo.

As emissões de gases de efeito estufa da Yancoal caíram 1,3% em relação ao ano anterior, totalizando cerca de 346 mil toneladas de CO2 equivalente no ano fiscal de 2024-25. Em toda a Nova Gales do Sul, as emissões líquidas da indústria de carvão caíram 35% em relação aos níveis de 2005.

Obter aprovações governamentais também se tornou mais difícil. A atual autorização de mineração da Moolarben em Nova Gales do Sul expira em 2038. A empresa solicitou a expansão de sua área de mineração há três anos, na esperança de extrair mais carvão antes desse prazo, mas ainda não há previsão de decisão.

A pressão sobre o carvão intensificou-se à medida que cresceram, em escala global, os apelos por ações climáticas mais rigorosas e pela transição para energias renováveis. No entanto, após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e a crise no Oriente Médio deste ano — que elevaram os preços do petróleo e do gás natural —, o carvão voltou a ganhar destaque como fonte alternativa de energia.

Espera-se que a demanda global por carvão em 2026 cresça 1,2% em relação ao ano anterior, atingindo o recorde de 8,94 bilhões de toneladas, segundo a Agência Internacional de Energia.

A Austrália impõe regulamentações ambientais rigorosas às empresas de mineração, incluindo a exigência de recuperação das áreas após o término das operações de extração.

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